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quarta-feira, 25 fevereiro, 2026
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Pedidos de refúgio de cubanos no Brasil quase dobram em 1 ano

Por Alexandre Gomes

Fato é reflexo da crise social e econômica em Cuba e das dificuldades impostas por outros destinos tradicionais de imigração

A busca por refúgio de cidadãos cubanos no Brasil registrou crescimento expressivo entre 2024 e 2025. O fato é reflexo da intensificação da crise social e econômica em Cuba e das dificuldades impostas por outros destinos tradicionais de imigração.

Dados oficiais mostram que os pedidos de proteção internacional feitos por cubanos saltaram de pouco mais de 22 mil em 2024 para quase 42 mil em 2025. As autoridades brasileiras observam que muitos desses imigrantes entram no país sem visto, enfrentando trajetos perigosos e irregulares.

Rotas arriscadas e a atuação de coiotes

Relatos como o de uma cubana de 47 anos que se tornou refugiada no Brasil em 2025 ilustram esse cenário. Em anonimato à TV Globo, ela relatou ter vendido sua casa em Cuba e, sem alternativas, viajou primeiro à Guiana, único país acessível sem exigência de visto. “Eu vendi minha casa em Cuba, mas não dava para ir para nenhum país”, contou. “Só para a Guiana.”

Segundo ela, o percurso mais comum envolve o voo de Havana para Georgetown, na Guiana, seguido de uma viagem por quase 600 km até Bonfim, em Roraima. Muitas vezes, a travessia é organizada por coiotes, que cobram altos valores e expõem os migrantes a riscos.

Em fevereiro de 2026, o Grupo de Investigação contra o Crime Organizado de Roraima prendeu um venezuelano suspeito de atuar como coiote. A polícia identificou alojamentos clandestinos onde dezenas de imigrantes permaneciam em condições precárias.

“Casas têm sido montadas como hotéis ou hostels para abrigar 30, 40 pessoas ao mesmo tempo, sem nenhum tipo de estrutura”, afirmou Wesley Costa de Oliveira, delegado titular da Draco-RR, à reportagem da emissora carioca.

Motivações e desafios de cubanos no Brasil

Os próprios cubanos relatam que a escassez de alimentos, gás de cozinha e eletricidade em Cuba tem impulsionado a saída do país. Além disso, o endurecimento das políticas migratórias dos Estados Unidos levou muitos a buscarem alternativas como o Brasil.

“A situação em Cuba está muito ruim”, contou a refugiada. “Falta gás, falta luz, não tínhamos comida. Decidimos apostar em uma vida melhor.”

Grande parte das solicitações de refúgio ocorre na Região Norte, mas há grupos que buscam regularização em Estados do Sul e do Sudeste. Em São Paulo, espaços de acolhimento oferecem abrigo, alimentação e aulas de português para facilitar a adaptação.

Martha Gavialn Matos, eletricista que vive há sete anos no Brasil e obteve cidadania, relatou à Globo que recebe mensagens quase diariamente de compatriotas interessados em migrar. Ela destaca as dificuldades para obtenção de visto. “Minha sobrinha, meu tio, familiar pertinho de mim, meu sobrinho foram todos negados”, contou Martha.

Sobre sua experiência, Martha diz ter encontrado no país novas oportunidades. “O Brasil abriu para mim a porta”, disse. “Eu voltei a fazer coisas que só eram um sonho, que só ficavam na minha mente, que eu queria conseguir. Mas aqui foi certo, aqui eu consegui.”

Em nota, o Itamaraty afirmou não impor restrições à concessão de vistos para cubanos. Já o Ministério da Justiça reforçou que o Brasil mantém tradição de respeito aos direitos humanos e acolhimento a migrantes.

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