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quarta-feira, 14 janeiro, 2026
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Países europeus cobram explicações do Irã sobre repressão violenta a protestos

Por Alexandre Gomes

Governos condenam com veemência violência do regime iraniano; em ação coordenada, nações convocaram embaixadores

Em uma ação coordenada na terça-feira, 13, os governos de países europeus convocaram diplomatas do Irã para cobrar explicações sobre a repressão violenta aos protestos que começaram no fim de dezembro em Teerã e em várias cidades iranianas.

A própria ditadura admitiu que o número de mortos passa de 2 mil. Além disso, o regime do aiatolá Khamenei começará a executar os condenados — em processos sumários — por envolvimento nos protestos. O regime também cortou o sinal de internet no país, para impedir a divulgação das manifestações. A Starlink, de Elon Musk, passou a fornecer internet grátis, via satélite, aos cidadãos do Irã.

O governo de Donald Trump ameaça ações diretas contra o Irã, e o governo brasileiro emitiu nota, mas não condenou a repressão violenta do regime.

Reação dos países europeus à violência do Irã contra manifestantes

Na França, o Ministério das Relações Exteriores informou que chamou o embaixador iraniano para registrar o repúdio do governo Emmanuel Macron à “violência de Estado” contra manifestantes pacíficos. O chanceler francês, Jean-Noël Barrot, tratou a repressão em vigor no Irã como “intolerável, insuportável e desumana”, conforme declarou à imprensa francesa.

Na Alemanha, a convocação do embaixador iraniano em Berlim foi acompanhada de uma nota publicada na rede X, na qual o ministério classificou as ações do regime como “brutais” e “chocantes”. “As ações brutais do regime iraniano contra seu próprio povo são chocantes. Exortamos veementemente #Iran a pôr fim à violência contra seus cidadãos e a respeitar seus direitos. O embaixador iraniano foi convocado ao Ministério das Relações Exteriores hoje.”

O Reino Unido também exigiu explicações do representante do Irã, cobrando esclarecimentos sobre mortes e abusos denunciados durante as manifestações, e reforçou o pedido de responsabilização do governo de Teerã. “Condenamos o assassinato de manifestantes e instamos o Irã a respeitar os direitos fundamentais de seu povo”, disse Ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper.

Na Espanha, o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, afirmou que o embaixador iraniano foi chamado para que o respeito ao direito de protesto pacífico e à liberdade de expressão seja garantido.

Já a Dinamarca, sem contar com um embaixador iraniano no país, convocou o encarregado de negócios e cobrou o cumprimento das obrigações internacionais do Irã, incluindo os direitos de reunião e associação, segundo nota oficial de Copenhague.

Outros países europeus, como a Itália, também aderiram à série de convocações diplomáticas. Paralelamente, a União Europeia reiterou sua condenação ao uso “desproporcional e pesado” da força pelas autoridades iranianas e expressou apoio àqueles que participam das mobilizações em busca de direitos.

Brasil não condena repressão violenta a protestos no Irã

O governo Lula, por meio do Itamaraty, emitiu uma nota na qual manifestou “preocupação” com a situação iraniana. Mas não condenou as ações violentas do regime contra a população.

A nota diz: “O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas. Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo”.

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