Governos condenam com veemência violência do regime iraniano; em ação coordenada, nações convocaram embaixadores
Em uma ação coordenada na terça-feira, 13, os governos de países europeus convocaram diplomatas do Irã para cobrar explicações sobre a repressão violenta aos protestos que começaram no fim de dezembro em Teerã e em várias cidades iranianas.
A própria ditadura admitiu que o número de mortos passa de 2 mil. Além disso, o regime do aiatolá Khamenei começará a executar os condenados — em processos sumários — por envolvimento nos protestos. O regime também cortou o sinal de internet no país, para impedir a divulgação das manifestações. A Starlink, de Elon Musk, passou a fornecer internet grátis, via satélite, aos cidadãos do Irã.
O governo de Donald Trump ameaça ações diretas contra o Irã, e o governo brasileiro emitiu nota, mas não condenou a repressão violenta do regime.
Reação dos países europeus à violência do Irã contra manifestantes
Na França, o Ministério das Relações Exteriores informou que chamou o embaixador iraniano para registrar o repúdio do governo Emmanuel Macron à “violência de Estado” contra manifestantes pacíficos. O chanceler francês, Jean-Noël Barrot, tratou a repressão em vigor no Irã como “intolerável, insuportável e desumana”, conforme declarou à imprensa francesa.
Na Alemanha, a convocação do embaixador iraniano em Berlim foi acompanhada de uma nota publicada na rede X, na qual o ministério classificou as ações do regime como “brutais” e “chocantes”. “As ações brutais do regime iraniano contra seu próprio povo são chocantes. Exortamos veementemente #Iran a pôr fim à violência contra seus cidadãos e a respeitar seus direitos. O embaixador iraniano foi convocado ao Ministério das Relações Exteriores hoje.”
O Reino Unido também exigiu explicações do representante do Irã, cobrando esclarecimentos sobre mortes e abusos denunciados durante as manifestações, e reforçou o pedido de responsabilização do governo de Teerã. “Condenamos o assassinato de manifestantes e instamos o Irã a respeitar os direitos fundamentais de seu povo”, disse Ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper.
Na Espanha, o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, afirmou que o embaixador iraniano foi chamado para que o respeito ao direito de protesto pacífico e à liberdade de expressão seja garantido.
Já a Dinamarca, sem contar com um embaixador iraniano no país, convocou o encarregado de negócios e cobrou o cumprimento das obrigações internacionais do Irã, incluindo os direitos de reunião e associação, segundo nota oficial de Copenhague.
Outros países europeus, como a Itália, também aderiram à série de convocações diplomáticas. Paralelamente, a União Europeia reiterou sua condenação ao uso “desproporcional e pesado” da força pelas autoridades iranianas e expressou apoio àqueles que participam das mobilizações em busca de direitos.
Brasil não condena repressão violenta a protestos no Irã
O governo Lula, por meio do Itamaraty, emitiu uma nota na qual manifestou “preocupação” com a situação iraniana. Mas não condenou as ações violentas do regime contra a população.
A nota diz: “O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas. Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo”.