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sexta-feira, 20 fevereiro, 2026
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Opositor exilado defende intervenção dos EUA em Cuba similar à da Venezuela

Por Alexandre Gomes

Segundo José Daniel Ferrer, ‘cubanos continuam morrendo de fome, e o regime continua no poder oprimindo e reprimindo’

As alternativas para uma transição política em Cuba voltaram ao debate depois de declarações de José Daniel Ferrer, opositor cubano exilado em Miami, nos Estados Unidos, desde outubro. Em entrevista concedida nesta quarta-feira, 18, ele defendeu a ideia de que os EUA considerem uma intervenção na ilha caribenha semelhante à realizada na Venezuela, caso o governo local se recuse a abdicar do poder.

Segundo Ferrer, “cubanos continuam morrendo de fome nas prisões e nas ruas, e ‘eles’ continuam no poder, oprimindo e reprimindo a maior parte da população”. Ele afirmou que, se necessário, apoiaria uma ação ao estilo venezuelano, posição a qual acredita que muitos cubanos compartilham.

O dissidente vê de forma positiva o diálogo atual entre autoridades norte-americanas e o governo de Havana, iniciativa divulgada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Possibilidades de transição e apoio internacional

Na avaliação do líder da União Patriótica de Cuba, os Estados Unidos buscam oferecer ao governo cubano oportunidades para uma transição pacífica para a democracia. Dessa forma, evitariam medidas mais rigorosas.

Ferrer, que esteve preso por mais de 13 anos, declarou não se opor a que Cuba siga o mesmo caminho da Venezuela. No país sul-americano, uma operação militar dos Estados Unidos resultou na deposição do ditador Nicolás Maduro. Ele e sua mulher, Cilia Flores, estão em solo norte-americano e aguardam julgamento.

Depois da intervenção na Venezuela, a vice-presidente do regime, Delcy Rodríguez, ligada ao chavismo, assumiu interinamente, atendendo a exigências de Washington, como a suspensão do envio de petróleo a Cuba.

Para Ferrer, “se for necessário que Cuba atue no estilo venezuelano e que uma figura como Delcy Rodríguez apareça, que os presos políticos sejam libertados imediatamente e que a repressão termine”. “Eu concordaria”, completou.

Ferrer quer eleições livres e plurais em Cuba

José Daniel Ferrer destacou a importância de assegurar que tais medidas conduzam a eleições livres e plurais. Ferrer, que elogia a pressão dos Estados Unidos contra a ilha, incluindo o bloqueio energético, que agravou a escassez de combustíveis no país, acredita que o regime cubano não resistirá mais de cinco ou seis meses.

Apesar disso, o opositor ressalta a necessidade de apoio humanitário, com envio de alimentos, medicamentos e itens essenciais para a população mais vulnerável nesse período.

O dissidente expressa o desejo de que eleições livres ocorram em breve em Cuba, mas reconhece as dificuldades, considerando o longo período sob ditadura. Ele aponta desafios, como a falta de coordenação e divergências dentro da própria oposição, ainda que mantenha a esperança de união.

“Sou bastante otimista, mas sei que é preciso trabalhar muito duro para que o otimismo acabe se tornando realidade, e não apenas um sonho fantasioso”, afirmou Ferrer, à agência AFP.

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