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sexta-feira, 23 janeiro, 2026
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ONU recebe relatos de 80 mil mortes no Irã

Por Alexandre Gomes

População foi às ruas contra a ditadura no país

Mai Sato recebeu relatos que citam entre 60 mil e 80 mil manifestantes assassinados pela ditadura no Irã durante a repressão aos protestos dos últimos dias. Desde 2024, ela é a relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a situação dos direitos humanos no país.

Em entrevista à ABC News, a especialista afirmou ter visto vídeos em que agentes iranianos abrem fogo contra civis desarmados. O grupo liderado por Mai é responsável por investigar se a ditadura cometeu crimes contra a humanidade e se o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, pode ser responsabilizado. Até o momento, o regime assumiu a morte de quase 5 mil civis.

“Recebi relatórios com 20 mil mortos, que vieram em grande parte por meio de médicos corajosos com acesso ao Starlink, capazes de fornecer informações sobre pacientes que atenderam”, disse. “Mas nem todo médico tem a coragem ou a capacidade de fornecer essas informações. Então, se o que estamos recebendo são estimativas de 60 mil ou 80 mil, acho que o número real, uma vez que tivermos mais dados, será significativamente maior.”

Manifestantes no Irã

Na última semana de 2025, a população iraniana tomou as ruas do país em protestos contra o aumento do custo de vida. Conforme o movimento ganhou força, a reivindicação passou a ser a queda do regime: a ditadura no poder há quase 50 anos. O Estado respondeu aos protestos com o aumento da repressão.

Mohammad Movahedi-Azad, procurador-geral do país, declarou que todos os manifestantes envolvidos na recente onda de protestos no Irã são “mohareb”. Trata-se do jargão jurídico para “inimigos de Deus”, o que a legislação iraniana define como um crime punível com a morte.

Ditadura Islâmica

Em 1979, o governo iraniano passou de uma monarquia laica para uma ditadura religiosa. Mohammad Reza Pahlavi foi deposto do cargo de xá (título equivalente a rei). Em seu lugar, assumiu como líder supremo Ruhollah Khomeini, aiatolá — distinção aplicada a membros do alto clero muçulmano, cuja tradução é “sinal de Deus”.

Khomeini se manteve no cargo até 1989, quando morreu e foi substituído pelo aiatolá Ali Khamenei. Sob o regime dos aiatolás, a visão deles sobre a religião islâmica se tornou a bússola legal do país. Homens e mulheres não são iguais perante a lei. Homossexuais recebem pena de morte. Cristãos e judeus não têm os mesmos direitos que os muçulmanos.

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