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quarta-feira, 14 janeiro, 2026
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ONU diz estar ‘horrorizada’ com repressão violenta a manifestantes no Irã

Por Alexandre Gomes

Alto comissário para Direitos Humanos condenou ‘uso brutal da força’ contra ‘demandas legítimas’

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou nesta terça-feira, 13, estar “horrorizado” com o aumento da violência praticada por forças de segurança contra manifestantes em diversas regiões do Irã. Segundo ele, há relatos de que centenas de pessoas foram mortas e milhares detidas durante a repressão aos protestos.

Türk pediu às autoridades iranianas que interrompam imediatamente “todas as formas de violência e repressão contra manifestantes pacíficos” e restabeleçam “o acesso pleno à internet e aos serviços de telecomunicações”. O alto comissário também cobrou responsabilização pelas violações consideradas graves.

“O assassinato de manifestantes pacíficos precisa parar, e a rotulagem de manifestantes como ‘terroristas’ para justificar a violência contra eles é inaceitável”, afirmou Türk. Ele acrescentou que “esse ciclo de violência horrível não pode continuar”.

Na avaliação de Türk, “o povo iraniano e suas demandas por justiça, igualdade e equidade precisam ser ouvidos”. Ele argumentou que “todas as mortes, a violência contra manifestantes e outras violações de direitos humanos devem ser investigadas de acordo com as normas e padrões internacionais de direitos humanos, e os responsáveis devem ser responsabilizados”.

Feridos no Irã chegam aos milhares, estima ONU

Relatos citados pela ONU mostram que diversos hospitais estão sobrecarregados pelo número de feridos, inclusive crianças. As informações também mencionam dificuldades de verificação completa dos fatos em razão de bloqueios nacionais de internet e telecomunicações.

Türk manifestou preocupação adicional com declarações públicas de autoridades do Judiciário iraniano. “Também é extremamente preocupante ver declarações públicas de alguns funcionários judiciais indicando a possibilidade de uso da pena de morte contra manifestantes por meio de procedimentos judiciais acelerados”, afirmou.

Desde 8 de janeiro, as autoridades iranianas impuseram um bloqueio nacional da internet, o que, de acordo com o alto comissário, afeta “os direitos dos iranianos à liberdade de expressão e ao acesso à informação”, além de prejudicar serviços de emergência e salvamento e dificultar o monitoramento independente de direitos humanos.

Ao concluir, Türk afirmou que “os iranianos têm o direito de se manifestar pacificamente” e que “suas queixas precisam ser ouvidas e tratadas, e não instrumentalizadas por ninguém”.

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