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Líder supremo do Irã admite que houve mortes durante os protestos no país

Por Alexandre Gomes

Ali Khamenei responsabilizou Donald Trump pelas semanas de manifestações

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, admitiu, neste sábado, 17, que as semanas de manifestações no país deixaram mortos. Entretanto, ele responsabilizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por semanas de manifestações que, segundo grupos de direitos humanos, resultaram em mais de três mil mortes até o momento.

Khamenei, autoridade máxima do Irã, disse que “vários milhares de mortes” ocorreram durante os protestos em todo o país, a pior onda de instabilidade no Irã em anos. Ele acusou os inimigos históricos do regime, EUA e Israel, de organizarem a violência.

“Nós consideramos o presidente dos Estados Unidos um criminoso pelas vítimas, pelos danos e pelas calúnias que infligiu à nação iraniana”, disse Khamenei, de acordo com a mídia estatal do Irã.

Os protestos começaram em 28 de dezembro, motivados por dificuldades econômicas, e se transformaram em manifestações generalizadas que pediam o fim do regime teocrático na República Islâmica. Trump ameaçou repetidamente intervir, inclusive com a promessa de adotar “ações muio fortes” caso o Irã executasse manifestantes.

Nesta sexta-feira, 16, o presidente norte-americano agradeceu aos líderes de Teerã por terem cancelado enforcamentos em massa. O Irã disse que “não havia plano para enforcar pessoas”. Já em entrevista ao portal Politico neste sábado, Trump afirmou que “é hora de buscar uma nova liderança no Irã” e defendeu o fim do governo de 37 anos de Khamenei.

Em uma entrevista à agência Reuters na última quarta-feira, 14, Trump disse que o herdeiro da monarquia iraniana Reza Pahlavi, opositor ao regime atual, “parece muito simpático”. O presidente dos EUA, porém, demonstrou incerteza quanto à capacidade de Pahlavi de reunir apoio dentro do Irã para eventualmente assumir o poder.

To all of our friends around the world,

Under the yoke of the Islamic Republic, Iran is identified in your minds with terrorism, extremism, and poverty. The real Iran is a different Iran. A beautiful, peace-loving, and flourishing Iran.

_It is the Iran that existed before the… _pic.twitter.com/IhK6ZRYDY0

_— Reza Pahlavi (@pahlavireza) _January 15, 2026

Em comentários que pareceram responder a Trump, Khamenei declarou: “Não vamos arrastar o país para a guerra, mas não deixaremos criminosos domésticos ou internacionais impunes”, segundo a mídia estatal.

“Aqueles ligados a Israel e aos Estados Unidos causaram danos massivos e mataram vários milhares”, afirmou. O aiatolá acusa os dois países de iniciarem incêndios, destruírem propriedades públicas e incitarem o caos. Eles “cometeram crimes e uma grave calúnia”, afirmou.

Na semana passada, o procurador-geral do Irã afirmou que os detidos enfrentariam punições severas. Entre eles estariam pessoas que “auxiliaram desordeiros e terroristas que atacaram forças de segurança e patrimônio público” e “mercenários que pegaram em armas e espalharam medo entre os cidadãos”.

“Todos os perpetradores são mohareb”, citou a mídia estatal, atribuindo a declaração ao procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi Azad, que acrescentou que as investigações seriam conduzidas “sem clemência, misericórdia ou tolerância”. Mohareb é um termo jurídico islâmico que significa “travar guerra contra Deus” e é punível com a morte.

A agência Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA, informou ter verificado 3.090 mortes, incluindo 2.885 manifestantes, além de mais de 22 mil prisões. A Reuters disse não ter conseguido verificar de forma independente os números de vítimas nem os detalhes dos distúrbios relatados pela mídia iraniana e por grupos de direitos humanos.

A repressão parece ter contido amplamente os protestos, segundo moradores e a mídia estatal. A obtenção de informações foi dificultada por apagões de internet, que foram parcialmente suspensos por algumas horas na madrugada de sábado.

⚡️🇺🇸BREAKING: U.S President #Trump on #Iran and Khamenei:

“It’s time to look for new leadership in Iran.”

“The man is a sick man who should run his country properly and stop killing people.”

_“His country is the worst place to live anywhere in the world because of poor… _pic.twitter.com/aQea7gybYr

_— Commentary: Trump Truth Social Posts On X (@trumptruthonx) _January 17, 2026

No entanto, o grupo de monitoramento NetBlocks afirmou que o bloqueio parecia ter sido restabelecido no fim deste sábado. “A conectividade da internet continua praticamente zerada no Irã, apesar de um pequeno e breve aumento no acesso mais cedo hoje”, disse o NetBlocks no X. “À medida que o bloqueio entra no décimo dia, há confusão sobre se o regime pretende restaurar o serviço em breve, ou se o fará.”

Um morador de Karaj, a oeste de Teerã, contatado pela Reuters por telefone via WhatsApp, disse ter notado o retorno da internet às 4h da manhã, no horário local, deste sábado. Karaj registrou alguns dos episódios de violência mais severos durante os protestos. O morador, que pediu para não ser identificado, afirmou que a última quinta-feira, 15, foi o pico da instabilidade na cidade.

A mídia estatal informou a prisão de milhares de “desordeiros e terroristas” em todo o país, incluindo pessoas ligadas a grupos de oposição no exterior que defendem a derrubada do regime. Entre os detidos estariam várias pessoas descritas como “líderes” dos protestos, incluindo uma mulher identificada como Nazanin Baradaran, presa depois de “operações complexas de inteligência”.

Príncipe herdeiro do Irã quer restabelecer relações com Israel

Segundo as reportagens, Baradaran atuava sob o pseudônimo Raha Parham em nome de Reza Pahlavi — o filho exilado do último xá do Irã — e teria desempenhado papel de liderança na organização dos distúrbios. A Reuters não conseguiu verificar o relato nem a identidade dela.

Pahlavi, oposicionista de longa data, tem se apresentado como um possível líder em caso de colapso do regime e afirmou que buscaria restabelecer relações diplomáticas entre Irã e Israel caso assumisse um papel de liderança no país. Autoridades israelenses expressaram apoio a Pahlavi.

Em uma rara aparição pública neste mês, o ministro do Patrimônio de Israel, Amichai Eliyahu, disse em entrevista à rádio do Exército israelense que Israel tinha agentes “em campo” no Irã. Segundo ele, o objetivo seria enfraquecer as capacidades iranianas, embora tenha negado que estivessem trabalhando diretamente para derrubar a liderança do país.

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