The Times afirma que aiatolá seguirá os passos de Bashar al-Assad
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, planeja deixar o país e seguir para Moscou caso as forças de segurança não consigam conter a onda de protestos no país. A informação consta de um relatório de inteligência compartilhado com o jornal britânico The Times neste domingo, 4, segundo o qual existe um plano de saída de Teerã caso haja deserções ou descumprimento de ordens por parte do Exército e dos órgãos de segurança.
De acordo com o documento, Khamenei, de 86 anos, deixaria a capital acompanhado por um círculo restrito de até 20 pessoas, entre assessores próximos e familiares, “incluindo seu filho e herdeiro indicado, Mojtaba”, afirmou uma fonte de inteligência ao jornal.
Um ex-integrante da inteligência israelense, Beni Sabti, que deixou o Irã anos depois da Revolução Islâmica, afirmou ao The Times que Khamenei escolheria Moscou porque “não há outro lugar para ele”. Segundo Sabti, o aiatolá “admira Putin” e avalia que “a cultura iraniana é mais semelhante à cultura russa”.
O plano, ainda segundo o relatório, se inspira na fuga do aliado sírio Bashar al-Assad, que deixou Damasco de avião rumo a Moscou antes de forças de oposição entrarem na capital, em dezembro de 2024. A estratégia inclui “a definição de uma rota de saída de Teerã” e a preparação logística para a fuga, com “reunião de ativos, propriedades no exterior e dinheiro para facilitar a passagem segura”, de acordo com a fonte.
Khamenei controla uma ampla rede de ativos no Irã, parte deles vinculados à organização Setad, descrita como uma das mais poderosas do país. Estimativas citadas pelo relatório sugerem que o conjunto de bens sob seu controle chegava a US$ 95 bilhões em 2013. A reportagem também afirma que vários auxiliares próximos do líder têm familiares fora do Irã, em países como Estados Unidos, Canadá e Emirados Árabes Unidos.
Khamenei é alvo de protestos no Irã
Manifestações em escala nacional, desencadeadas por dificuldades econômicas, atingiram diversas partes do Irã na última semana, inclusive a cidade sagrada de Qom. Segundo relatos citados pelo The Times, manifestantes acusam as forças policiais de empregar meios como disparos com munição real, gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar os atos.
Essas forças incluem a Guarda Revolucionária Islâmica, a milícia Basij, a polícia e o Exército. Todas estão sob o comando direto de Khamenei, descrito no relatório como a principal fonte de poder da República Islâmica, com autoridade sobre as Forças Armadas, o Judiciário e os meios de comunicação.
O texto destaca que ele depende da Guarda Revolucionária como pilar central para impor decisões. O plano de fuga seria acionado caso o líder avalie que essas forças deixaram de obedecê-lo.
Um perfil psicológico elaborado por uma agência de inteligência ocidental e citado pelo jornal destaca que o aiatolá estaria “mais fraco, tanto mental quanto fisicamente” desde a guerra de 12 dias com Israel no ano passado.
Khamenei quase não apareceu em público desde então e não foi visto nem ouvido durante vários dias recentes de protestos. Durante o conflito, ele teria permanecido em um bunker para evitar o destino de outros altos dirigentes da Guarda Revolucionária mortos, o que reforçou sua “obsessão pela sobrevivência”.
O documento descreve o líder como “paranoico”, característica que teria influenciado a elaboração do plano de saída do país. “Por um lado, ele é muito motivado ideologicamente, mas, por outro, é pragmático no que vê: enxerga compromissos táticos para uma causa maior no longo prazo”, encerra o relatório.