Governo israelense acompanha as decisões dos EUA, mais preocupado em reduzir as armas balísticas do que com o arsenal nuclear iraniano
A maior preocupação de Israel hoje é com os mísseis balísticos do Irã, vistos como uma ameaça imediata, independentemente do avanço do país em seu programa nuclear. Israel também acompanha as negociações entre Estados Unidos (EUA) e Irã. O medo não é um acordo amplo, mas um acerto restrito, focado no programa nuclear e que deixe os mísseis balísticos fora da mesa.
Autoridades israelenses avaliam que esses mísseis já dão ao Irã capacidade de causar danos significativos e funcionam como um fator de dissuasão mesmo sem uma arma nuclear. Por isso, o tema se tornou central nas conversas entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente dos EUA, Donald Trump.
Ao mesmo tempo que monitora de perto as decisões dos EUA, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prefere manter-se em silêncio, conforme afirmou à BBC Asaf Cohen, ex-diretor-adjunto da Unidade de Inteligência de Sinais de Israel.
“Os líderes [israelenses] acreditam que desta vez devemos deixar os norte-americanos assumirem a liderança, já que são mais fortes, têm maiores capacidades e gozam de muito mais legitimidade no mundo.”
A avaliação atual é que não deve haver um ataque contra o Irã nesta semana, mas que qualquer mudança pode ocorrer nas próximas semanas, provavelmente de forma surpreendente.
Esse curto prazo preocupa os militares israelenses. Um conflito regional exige preparação da Força Aérea, dos sistemas de defesa, da população civil e de parceiros internacionais. Sem tempo adequado, os riscos aumentam.
Israel à espera de um acordo amplo com o Irã
Segundo avaliações citadas no relatório, o Irã não aceita negociar seus mísseis. Teerã se mostra disposto a discutir alívio de sanções e mecanismos limitados de fiscalização, mas trata o programa balístico como um direito soberano e uma forma de equilibrar a superioridade aérea de Israel e dos EUA.
Essa posição coloca Washington diante de um dilema: pressionar por um acordo mais amplo, correndo o risco de as negociações fracassarem, ou aceitar um entendimento restrito que deixe os mísseis e a atuação regional do Irã fora do acordo.
O cenário interno iraniano também pesa. O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, mantém uma linha dura e evita qualquer sinal de concessão, enquanto outros setores defendem o alívio das sanções e maior estabilidade econômica. Ainda assim, a palavra final segue concentrada em Khamenei.
Autoridades israelenses ressaltam que nenhum dos caminhos é seguro. Um ataque pode provocar uma reação dura do Irã. Um acordo incompleto, por outro lado, pode permitir que Teerã continue aprimorando seus mísseis com mais recursos e menos pressão internacional.
Por isso, Israel intensificou nas últimas semanas o envio de informações de inteligência aos EUA. O objetivo é garantir que os mísseis balísticos permaneçam no centro das decisões norte-americanas e evitar que um acordo limitado amplie a principal ameaça que o país diz enfrentar.