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sexta-feira, 16 janeiro, 2026
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Imagens raras mostram superlotação de necrotérios no Irã

Por Alexandre Gomes

Registros que burlaram bloqueio à internet trazem corpos espalhados pelo chão do pátio do Centro Médico Forense de Teerã

A repressão violenta aos protestos contra o regime teocrático dos aiatolás expôs a situação dos necrotérios no Irã, marcada por cenas de forte impacto.

Fotos e vídeos que conseguiram driblar o bloqueio imposto à internet no país mostram corpos empilhados em necrotérios improvisados. As imagens registram cadáveres espalhados pelo Centro Médico Forense de Kahrizak, ao sul de Teerã, capital do Irã.

Os registros exibem sacos pretos com corpos alinhados em corredores, galpões e até no pátio externo da unidade. Familiares caminham entre os cadáveres, na tentativa de identificar entes queridos.

Segundo testemunhas ouvidas por veículos internacionais, o número de mortos levados ao centro forense superou rapidamente a capacidade da instalação. Galpões próximos foram adaptados às pressas para funcionar como necrotérios temporários, enquanto outros corpos permaneceram ao ar livre, próximos a veículos estacionados.

Repressão a protestos deixa centenas de mortos no Irã

Os protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei começaram no fim de dezembro, impulsionados pela deterioração das condições econômicas e pela insatisfação popular contra o autoritarismo. As manifestações foram respondidas com o uso de força letal pelas autoridades iranianas.

De acordo com a Human Rights Activists News Agency (Hrana), mais de 500 pessoas morreram e mais de 10 mil foram presas desde o início das mobilizações. Os números exatos, contudo, permanecem incertos em razão do rígido controle de informações e do bloqueio à internet imposto pelo governo iraniano.

A mídia estatal reconheceu a existência das imagens dos necrotérios, mas afirmou que a maioria dos corpos seria de “pessoas comuns” e atribuiu as mortes a confrontos provocados por “manifestantes violentos”.

Grupos de direitos humanos contestam essa versão e responsabilizam o regime de Ali Khamenei pelas mortes registradas durante a repressão.

Além da superlotação dos necrotérios, há denúncias de que autoridades iranianas retêm ou dificultam a liberação de corpos, numa tentativa de impedir funerais públicos que possam se transformar em novos atos de protesto. Essa prática já foi documentada em ciclos anteriores de repressão no país.

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