Juntamente com a Eslováquia, o país responsabilizou Kiev pelo atraso na retomada do envio de petróleo russo pelo gasoduto Druzhba
A possibilidade de bloqueio do novo pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia e de um empréstimo de € 90 bilhões para a Ucrânia ganhou força nesta segunda-feira, 23, diante da postura da Hungria, enquanto ataques em Odessa, na Ucrânia, deixaram dois mortos na véspera do quarto aniversário da invasão russa em larga escala.
Hungria e Eslováquia responsabilizam a Ucrânia pelo atraso na retomada do envio de petróleo russo pelo gasoduto Druzhba. Atualmente, são os únicos membros da União Europeia que ainda dependem do petróleo russo transportado por esse oleoduto.
Declarações e tensões no aniversário da guerra
Em meio à aproximação do aniversário da guerra, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou à BBC que o presidente russo Vladimir Putin “já havia iniciado” a Terceira Guerra Mundial e defendeu uma resposta mundial contundente. “A questão é quanto território ele [Putin] será capaz de conquistar e como detê-lo”, afirmou Zelensky. “A Rússia quer impor ao mundo um modo de vida diferente e mudar as vidas que as pessoas escolheram para si mesmas.”
Moscou nega que queira expandir o conflito para o Ocidente e afirma que sua “operação militar especial” visa proteger sua segurança nacional contra ameaças do Ocidente, classificado como hostil. Já Kiev e aliados acusam Putin de buscar anexações territoriais ao estilo imperial.
Tentativas dos Estados Unidos de intermediar um acordo entre Moscou e Kiev não têm avançado. As negociações mais recentes ocorreram em Genebra nos dias 17 e 18, mas não resultaram em progresso. A Rússia insiste que a Ucrânia deve abandonar cerca de 20% da região leste de Donetsk ainda sob controle ucraniano, exigência rejeitada por Zelenskiy, que afirmou à BBC que isso equivaleria a “abandonar centenas de milhares de nosso povo que vive lá”.
Hungria pressiona e condiciona apoio a sanções e empréstimo
Em meio a esse impasse, a Hungria anunciou que irá bloquear o 20º pacote de sanções contra Moscou e o empréstimo de € 90 bilhões à Ucrânia, alegando que a interrupção no gasoduto Druzhba é responsabilidade de Kiev. O fornecimento de petróleo russo à Hungria e à Eslováquia está interrompido desde 27 de janeiro, depois de um ataque de drone russo atingir equipamentos do gasoduto, segundo autoridades ucranianas, mas Budapeste e Bratislava apontam Kiev como responsável pela paralisação prolongada.
“Não odiamos a Ucrânia… mas o Estado ucraniano se comporta de maneira hostil em relação à Hungria”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, acrescentando: “A bola está no campo da Ucrânia”, conforme relatado pela Reuters.
Em carta enviada ao presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, o primeiro-ministro Viktor Orbán classificou a interrupção do Druzhba como um “ato de hostilidade não provocado que prejudica a segurança energética da Hungria” e garantiu que não irá aprovar o empréstimo enquanto o problema não for solucionado.
Orbán, que mantém relações próximas com Moscou, apresenta as eleições de 12 de abril na Hungria como uma escolha entre “guerra ou paz”, ao mesmo tempo que acusa a oposição de querer envolver o país no conflito, algo que os adversários negam enfaticamente.