Operação militar em Tapalpa elimina líder do Cartel Jalisco Nova Geração e desencadeia onda de violência
O Exército do México matou o narcotraficante Nemesio Oseguera, conhecido como El Mencho, durante uma operação de inteligência no município rural de Tapalpa, no Estado de Jalisco. Líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), Oseguera encabeçava a lista dos criminosos mais procurados do mundo, com uma recompensa de US$ 15 milhões oferecida pelos Estados Unidos. A eliminação do chefão marca a maior ofensiva do governo de Claudia Sheinbaum contra o narcotráfico, ocorrendo em um cenário de forte pressão do presidente Donald Trump para que o México erradique os cartéis.
As Forças Especiais, apoiadas pela Força Aérea e por unidades de elite da Guarda Nacional, executaram a incursão durante a madrugada de domingo. O Ministério da Segurança informou que as tropas responderam a um ataque dos criminosos e abateram quatro integrantes do cartel no local. El Mencho e outros dois comparsas morreram em decorrência dos ferimentos durante o transporte aéreo para a Cidade do México. Autoridades norte-americanas forneceram informações suplementares para o planejamento da missão.
Arsenal de guerra e táticas paramilitares
A operação revelou o poderio bélico do CJNG. Os militares apreenderam lançadores de foguetes com capacidade para derrubar aeronaves e veículos blindados de combate. Segundo a Fox News, o cartel de El Mencho operava como uma organização paramilitar, utilizando lançadores de granadas e táticas sofisticadas de cerco. Em 2015, o grupo já havia demonstrado força ao abater um helicóptero militar mexicano, marco que mudou a percepção do Estado sobre a periculosidade da facção.
O CJNG superou o Cartel de Sinaloa em influência global nos últimos anos, tornando-se o principal exportador de cocaína para os EUA. O grupo transportava toneladas da droga por submarinos e barcos rápidos a partir da costa do Equador e da Colômbia. Sob o comando de El Mencho, a facção também dominou o tráfico de fentanil e esquemas de contrabando de combustível, financiando uma estrutura de proteção conhecida como “Força Especial do Alto-Comando”.
Reação violenta e caos em Jalisco
A morte de El Mencho gerou uma resposta imediata e coordenada dos criminosos. Homens armados incendiaram carros e caminhões para bloquear estradas em Guadalajara, a segunda maior cidade do país. Em Puerto Vallarta, colunas de fumaça negra cobriram o céu, obrigando companhias aéreas norte-americanas e canadenses a cancelarem voos. A Embaixada dos Estados Unidos emitiu um alerta de segurança urgente, orientando cidadãos norte-americanos a buscarem abrigo e evitarem deslocamentos.
A queda de El Mencho ocorre no rastro de uma política externa agressiva de Washington. Trump designou o cartel como uma Organização Terrorista Estrangeira no ano passado e pressiona Sheinbaum para permitir a entrada de tropas norte-americanas em território mexicano. Ao entregar a “cabeça” do principal traficante do país, o governo mexicano tenta afastar a ameaça de uma intervenção militar unilateral dos EUA.
Morte de El Mencho resulta em guerra por sucessão
Especialistas preveem que a morte de Oseguera desencadeará uma guerra sangrenta pela sucessão do império. O CJNG funciona como uma empresa familiar, mas a prisão do filho e do irmão de El Mencho — ambos extraditados para os EUA — deixa o comando fragilizado. O vácuo de poder deve estimular conflitos internos e invasões de cartéis rivais em áreas estratégicas de Jalisco e Michoacán.
Claudia Sheinbaum agora enfrenta o desafio de conter a violência urbana enquanto tenta provar a Donald Trump que as instituições mexicanas podem desmantelar o crime organizado sem auxílio direto no campo de batalha. Enquanto isso, o México aguarda o desdobramento do julgamento de Nicolás Maduro nos EUA, capturado em janeiro, evento ao qual analistas comparam o peso operacional da queda de El Mencho.