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EUA mantiveram negociações secretas com irmãos Rodríguez, da Venezuela

Por Alexandre Gomes

Antes da captura de Maduro, Estados Unidos tiveram diálogos com foco em acordos de petróleo e libertação de norte-americanos

Conversas sigilosas entre Delcy Rodríguez, atual líder interina da Venezuela, e seu irmão Jorge Rodriguez, presidente da Assembleia Nacional do país, ocorreram com representantes do governo dos EUA meses antes da captura do ditador Nicolás Maduro. Fontes diplomáticas em Washington e Caracas confirmaram a existência desses contatos, segundo o portal UOL.

O embaixador norte-americano Richard Grenell, escolhido pelo presidente Donald Trump para missões especiais na Venezuela, liderou as negociações com Delcy e Jorge. Os diálogos abordaram interesses como acordos para exploração de petróleo e minério, além da repatriação de venezuelanos que entraram ilegalmente nos EUA nos últimos anos.

Mediação de Grenell e negociações

No Brasil, Grenell ficou conhecido por intermediar o primeiro encontro entre Trump e Lula, mesmo sem o aval do Departamento de Estado. Ainda durante o segundo mandato de Trump, foi o embaixador quem negociou com os irmãos Rodríguez a libertação de seis cidadãos norte-americanos presos por acusações de terrorismo na Venezuela, sem exigências adicionais dos EUA, além de um registro fotográfico do aperto de mãos entre Grenell e Maduro.

Também conforme o UOL, Delcy inicialmente demonstrou disposição para liberar apenas dois detentos norte-americanos e desconforto com a possibilidade de Grenell encontrar a opositora María Corina Machado em Caracas. O embaixador propôs conversar com María Corina apenas por telefone, em troca da libertação de oito prisioneiros, mas Delcy negociou a soltura de seis. Tal acordo foi cumprido em 31 de janeiro de 2025, quando os seis norte-americanos embarcaram em um avião presidencial dos EUA acompanhados de Grenell.

O perfil pragmático de Delcy agradou aos negociadores dos Estados Unidos. Por isso, ela passou a ser vista como uma interlocutora confiável, enquanto as tentativas de Grenell de convencer María Corina e seu grupo a liderar o país não avançaram. A Casa Branca não se convenceu de que a oposição garantiria seus interesses caso assumisse o governo.

Disputas internas na estratégia dos EUA

Nos bastidores, Grenell e o secretário de Estado, Marco Rubio, divergiram sobre a estratégia para a Venezuela. Rubio, apoiador de María Corina Machado, defendia ações militares contra Maduro e se opunha a negociações diplomáticas. Durante meses, ambos disputaram a atenção de Trump, cada um com seu argumento e abordagem.

Em outubro, Trump encerrou o diálogo com o governo Maduro e iniciou operações militares no Caribe — sinais de que Rubio prevalecia sobre Grenell. No entanto, fontes afirmaram ao UOL que Grenell manteve discretamente seus contatos em Caracas, mesmo durante as ações militares.

Depois da saída de Maduro, articulada por Rubio, Delcy e Jorge Rodríguez passaram a ser os principais interlocutores de Trump para os próximos passos no país. Isso pode indicar uma retomada das negociações com o chavismo, desta vez sem Maduro. Essa possibilidade se alinha à estratégia defendida por Grenell, priorizando acordos energéticos.

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