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EUA e Irã negociam programa nuclear em Omã

Por Alexandre Gomes

O regime iraniano se recusa a discutir seu arsenal de mísseis e quer o reconhecimento do direito de enriquecer urânio

Representantes dos Estados Unidos e do Irã se reuniram nesta sexta-feira, 6, para negociações sobre o programa nuclear de Teerã, com mediação de Omã, em meio a ameaças de um novo conflito no Oriente Médio. A reunião, na capital omanense, Mascate, começou pouco antes das 5h, no horário de Brasília.

Antes do começo oficial da reunião, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, se encontrou com o chanceler de Omã, Sayyid Al Busaidi, que repassou as demandas iranianas aos EUA. Segundo a agência Reuters, negociações indiretas “possivelmente” teriam início depois uma reunião entre o principal negociador norte-americano e o chanceler de Omã.

Ambos os lados indicaram disposição para retomar as negociações em torno da disputa nuclear de Teerã com o Ocidente. Entretanto, Washington quer ampliar as negociações para incluir os mísseis balísticos do Irã, o apoio a grupos armados na região e o “tratamento de seu próprio povo”, afirmou nesta quarta-feira o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

The Iranian regime does not reflect the people of Iran, nor their culture rooted within a deep history. I know of no other country where there’s a bigger difference between the people who lead the country and the people who live there. Department of State on Twitter / X

_— Secretary Marco Rubio (@secrubio ) _February 5, 2026

Já as autoridades iranianas têm reiterado que não discutirão seus mísseis — um dos maiores arsenais do tipo na região — e defendem o reconhecimento do direito do país de enriquecer urânio. Para Washington, permitir o enriquecimento dentro do Irã é inviável.

A influência de Teerã na região foi severamente enfraquecida, com seus aliados regionais — conhecidos como o “Eixo da Resistência” — desmantelados ou gravemente atingidos por Israel desde o início da guerra com o grupo terrorista Hamas em Gaza, em 2023, e a queda de Bashar al-Assad na Síria.

Uma fonte diplomática iraniana havia dito à Reuters que qualquer “presença do Comando Central dos EUA ou de autoridades militares regionais nas conversas pode comprometer o processo de negociações nucleares indiretas entre Irã e Estados Unidos” em Omã.

O Irã afirmou que quer que o chanceler Abbas Araqchi e o enviado dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, discutam apenas a questão nuclear no encontro em Mascate. Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump, que ajudou a mediar negociações de cessar-fogo em Gaza, também estava presente em Mascate para as conversas.

Os aiatolás continuam profundamente preocupados com a possibilidade de Trump ainda cumprir ameaças de atacar o Irã diante do acúmulo de forças da Marinha dos EUA nas proximidades do país. O reforço naval dos EUA ocorreu diante da repressão sangrenta do governo a protestos nacionais no Irã iniciados em janeiro.

Em junho, os Estados Unidos atacaram alvos nucleares iranianos, em conjunto com uma campanha israelense de bombardeios que durou 12 dias. Desde então, Teerã afirmou que seu trabalho de enriquecimento de urânio foi interrompido.

Islamic Regime: “This special session has no legitimacy”
China: “We do not support”
North Korea: “We do not support”
Pakistan: “Iran upholds due process of law”
S. Africa: “External actors sow division”
Brazil: “No foreign intervention”
_Russia: “Iran stopped foreign coup d’état” _pic.twitter.com/VFe3x9sKqq

_— UN Watch (@unwatch ) _February 5, 2026

Trump advertiu que “coisas ruins” provavelmente aconteceriam se não não houvesse um acordo. “Enquanto essas negociações acontecem, eu lembraria o regime iraniano de que o presidente tem muitas opções à sua disposição, além da diplomacia, como comandante-chefe da força militar mais poderosa da história do mundo”, disse a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesta quinta-feira, 5.

O Kremlin, aliado do Irã, disse nesta sexta-feira que espera que as negociações produzam resultados e levem a uma desescalada, e pediu contenção a todas as partes enquanto isso. O Irã prometeu uma resposta dura a qualquer ataque militar e advertiu países árabes do Golfo que abrigam bases norte-americanas de que poderiam se tornar alvos caso se envolvam em uma ofensiva.

Irã não quer abrir mão dos mísseis e urânio

Em um gesto de desafio, a TV estatal iraniana afirmou, horas antes das negociações, que “um dos mísseis balísticos de longo alcance mais avançados do país, o Khorramshahr-4”, havia sido instalado em uma das vastas “cidades de mísseis” subterrâneas da Guarda Revolucionária.

Ainda assim, Teerã está disposto a demonstrar “flexibilidade no enriquecimento de urânio, incluindo a entrega de 400 kg de urânio altamente enriquecido e a aceitação de enriquecimento zero dentro de um arranjo de consórcio como solução”, disseram autoridades iranianas à Reuters na semana passada.

O Irã também exige o fim das sanções, reimpostas desde 2018, quando Trump abandonou o acordo nuclear de 2015 firmado entre o país e seis potências. Os EUA, aliados europeus e Israel acusam Teerã de usar seu programa nuclear como fachada para tentar desenvolver capacidade de produzir armas.

O Irã afirma que seu programa tem fins exclusivamente pacíficos. Israel equiparou o perigo dos mísseis iranianos ao do programa nuclear. Em janeiro, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que a “tentativa do Irã de construir armas atômicas” e “20 mil mísseis balísticos” eram como “dois tumores cancerígenos”.

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