Autoridade americana cita atuação na Tríplice Fronteira e financiamento ao grupo libanês para defender classificação
Equipes do Departamento de Guerra dos Estados Unidos usam uma suposta conexão entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o grupo terrorista libanês Hezbollah para justificar que a facção brasileira seja classificada como organização terrorista. Autoridades norte-americanas também discutem a inclusão do Comando Vermelho (CV) na mesma categoria. A informação foi é do jornalista Octavio Guedes, da GloboNews.
O principal defensor da tese é Joseph Humire, subsecretário-adjunto de Defesa para o Hemisfério Ocidental. Ele apresentou o argumento durante audiência no Congresso norte-americano em 2018, ainda no primeiro governo de Donald Trump.
Humire afirmou que o PCC possui “ligações comprovadas” com o Hezbollah. O representante do governo norte-americano colocou a facção brasileira na mesma lista de organizações criminosas latino-americanas com conexões com o grupo libanês. Também aparecem nessa relação o cartel mexicano Los Zetas e a organização colombiana La Oficina de Envigado.
Autoridades dos EUA citam atuação do PCC na Tríplice Fronteira
Humire citou a região da Tríplice Fronteira — onde se encontram Brasil, Argentina e Paraguai — como um ponto histórico de encontro entre crime organizado e redes terroristas. Segundo ele, autoridades norte-americanas sancionaram 11 pessoas que vivem no Brasil e no Paraguai por financiar o Hezbollah.
Esses indivíduos abriram ao menos 18 empresas nos dois países, mesmo depois das punições impostas pelo Departamento do Tesouro dos EUA.
O subsecretário afirmou que a cooperação entre organizações criminosas e grupos terroristas não se limita à lavagem de dinheiro.
Ele mencionou também compartilhamento de áreas de operação, troca de informações de inteligência e uso de táticas semelhantes.
Obstáculos legais
Humire criticou a capacidade de repressão ao terrorismo na América Latina. Na avaliação dele, instituições frágeis, corrupção elevada e fronteiras pouco controladas favorecem o crescimento do crime organizado.
O subsecretário reconheceu que vários países da região possuem leis antiterrorismo, mas, mesmo assim, afirmou que a ausência de reconhecimento formal do Hezbollah como organização terrorista limita a aplicação dessas normas. Ele citou o caso de um integrante do Hezbollah preso no Peru, em 2014, que inicialmente foi absolvido pela Justiça.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na noite do domingo 8. Os dois discutiram a hipótese de Washington classificar facções brasileiras, como o PCC e o CV, como organizações terroristas estrangeiras.
Diplomatas afirmam que há receio de que Washington utilize o combate ao narcotráfico e a rotulação de grupos como terroristas para justificar operações militares na região.