O relatório aponta que Pequim está tentando superar a hegemonia norte-americana sobre os países latinos, inclusive o Brasil
Parlamentares norte-americanos expressaram, nesta semana, preocupação com a relação da China com países da América Latina. O medo dos parlamentares é perder a hegemonia militar sobre a região que é historicamente conhecida como área de influência de Washington.
Os deputados dos Estados Unidos fizeram os apontamentos no relatório “China em nosso quintal dos fundos: volume 2 — Puxando a América Latina para a Órbita da China”. O material partiu da Comissão Seleta da Câmara dos Representantes sobre Competição Estratégica entre os EUA e o Partido Comunista Chinês. O documento foi divulgado nesta semana.
Nele, os parlamentares acusam a China de operar uma rede de instalações espaciais na América Latina com potencial uso militar. Duas dessas instalações ficam no Brasil.
Comissão contra a China
A comissão, criada em 2023, é composta por deputados dos partidos Democrata e Republicano. O colegiado busca desenvolver estratégias para competir econômica e militarmente com a China.
Apesar de contar com membros de ambos os partidos, a maioria é republicana. E reforça o desejo do presidente dos EUA, Donald Trump, de manter a América Latina como “quintal dos fundos” de Washington.
Segundo o texto, a China desenvolve uma relação de cooperação científica e estratégica na área espacial com muitos países latinos, criando uma rede de bases com potencial militar.
“Essas instalações não são simplesmente projetos científicos isolados”, diz o documento. “Em vez disso, esses locais formam uma rede integrada de dupla utilização, fortalecendo a capacidade da China de monitorar, controlar e potencialmente interromper as operações espaciais e militares do adversário.”
O texto também afirma que “Pequim utiliza infraestrutura espacial na América Latina para coletar informações sobre adversários e fortalecer as futuras capacidades de combate do Exército Popular de Libertação”.
“Esses locais na América Latina são parte essencial da extensa rede de Defesa Espacial da República Popular da China”, destaca o relatório. “Que fornece vigilância global quase contínua, apoia operações contraespaciais e permite o sistema de orientação terminal necessário para armamentos avançados.”