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quinta-feira, 22 janeiro, 2026
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Ditadura matou mais de 16 mil manifestantes no Irã

Por Alexandre Gomes

‘É um nível de brutalidade totalmente novo’, diz médico responsável por relatório sobre as vítimas

A ditadura islâmica matou entre 16,5 mil e 18 mil manifestantes na recente onda de protestos no Irã, denuncia um relatório produzido por médicos que atuam na região. O documento descreve a situação como “massacre total” e “genocídio”. A maior parte das vítimas tinha menos de 30 anos.

O jornal britânico The Sunday Times publicou o relatório no último sábado, 17. Entre os sobreviventes do massacre, estima-se haver 330 mil feridos. A repressão é descrita como a mais brutal em 47 anos de ditadura islâmica no comando do Irã. “Conversei com dezenas de médicos locais, e eles estão realmente chocados e chorando”, disse Amir Parasta, oftalmologista iraniano-alemão em Munique. “São cirurgiões que viram a guerra.”

Médico que tratou vítimas reprimidas em 2022, Parasta afirma que os agentes iranianos têm usado mais poder de fogo. “Antes, eles usavam balas de borracha e armas de chumbinho para atingir os olhos”, relatou. “Desta vez, usam armas de uso militar, e o que estamos vendo são ferimentos por bala e estilhaços na cabeça, no pescoço e no peito. Este é um nível de brutalidade totalmente novo.”

Protestos nas ruas

No fim de 2025, a população iraniana passou a sair às ruas em protestos contra o aumento do custo de vida no país. Conforme o movimento ganhou força, os manifestantes passaram a reivindicar a queda do próprio governo: o regime dos aiatolás, no poder há quase 50 anos.

Ditadura islâmica no Irã

O modelo vigente teve início em 1979, com a abolição da monarquia laica e pró-Ocidente. O xá Mohammad Reza Pahlavi foi deposto, e o poder passou às mãos do grupo liderado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. Ele assumiu como líder supremo do país e permaneceu no cargo até morrer, em 1989. Em seu lugar, subiu ao posto o aiatolá Ali Khamenei, no poder desde então.

Aiatolá é um termo árabe que significa “sinal de Deus” e designa um alto posto no clero muçulmano xiita. Sob a ditadura dos aiatolás no Irã, prevalece a interpretação deles sobre os preceitos islâmicos. Homens e mulheres não são iguais perante a lei. Homossexuais podem ser condenados à pena de morte. Cristãos e judeus não gozam dos mesmos direitos assegurados aos muçulmanos.

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