Presidente interina busca diálogo político em meio a crise institucional
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, solicitou no sábado, 24, a abertura de conversas com forças opositoras. A iniciativa ocorre em um cenário de crise política, sob alegação do governo de que o país está sob controle dos Estados Unidos.
Rodríguez assumiu o comando de forma temporária em 3 de janeiro, quando forças militares capturaram Nicolás Maduro. A operação deixou cerca de cem mortos. Antes, ela ocupava a vice-presidência do governo deposto.
Em discurso no estado de La Guaira, à emissora estatal VTV, a dirigente pediu união política em torno do país. “Não pode haver diferenças nem políticas nem partidárias quando se trata da paz da Venezuela”, afirmou. Em seguida, reforçou: “A partir das diferenças, temos que nos falar com respeito. A partir das diferenças, temos que nos encontrar e alcançar acordos”.
Solturas e divergências nos números de presos na Venezuela
O governo interino afirma ter promovido 626 libertações desde dezembro. Organizações independentes apresentam números distintos. O Foro Penal registra 269 solturas no mesmo intervalo e informa que mais de 700 pessoas continuam presas por motivos políticos.
Familiares de detidos relatam liberações graduais desde 8 de janeiro, data do anúncio oficial sobre um “número significativo” de saídas da prisão.
Na sexta-feira 23, Rodríguez solicitou ao presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, seu irmão, a organização de encontros com setores políticos, com foco em “resultados concretos e imediatos”. Ela também rejeitou interferência externa no processo. “Que seja um diálogo político venezuelano em que não se imponham mais ordens externas, nem de Washington nem de Bogotá ou Madri, um diálogo político nacionalizado (…) que seja pelo bem comum da Venezuela”, declarou.
A Venezuela enfrenta controle estatal há anos. Manifestações contra a reeleição de Maduro, em 2024, terminaram em repressão e na detenção de mais de 2.000 pessoas em dois dias. O país também mantém um estado de comoção que prevê prisão para quem apoiar a ação militar norte-americana.