Impulsionadas inicialmente pela crise econômica, manifestações evoluíram e pedem fim do regime dos aiatolás
O cenário de protestos no Irã, que começou em 28 de dezembro do ano passado, já soma 5 mil mortos, informou a agência de notícias Reuters. neste domingo, 18. O dado, no entanto, ainda não têm a confirmação oficial das autoridades.
Impulsionadas pela insatisfação com a crise econômica, as manifestações evoluíram para reivindicações pelo fim da ditadura dos aiatolás. O modelo está vigente há mais de quatro décadas e é marcado por rígidas restrições, sobretudo contra as mulheres.
Repressão no Irã e reações internacionais
Com relatos de uso de força letal por parte de policiais e militares, o endurecimento da repressão provocou reações internacionais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou atacar o Irã, de modo a intensificar as tensões já existentes entre os dois países.
O governo de Teerã atribui as mortes tanto de civis quanto de agentes de segurança aos próprios manifestantes, com a tese de incitação à violência. Autoridades iranianas ainda afirmam que os Estados Unidos estariam infiltrando agentes nos protestos.
Organizações de direitos humanos divergem nos números. A ONG HRANA, com sede nos Estados Unidos, registrou neste sábado, 17, mais de 3,3 mil mortos, além de relatar 24 mil prisões e outros 4,3 mil casos em análise. Já a Iran Human Rights, da Noruega, fala em 3,4 mil vítimas, mas alerta que o número pode ser maior.
Controvérsias sobre os números e acusações externas
O canal oposicionista Iran International, no exterior, divulgou um total ainda mais elevado, de 12 mil mortos. Ele cita informações de integrantes do governo e da segurança.
Segundo uma fonte oficial iraniana, cerca de 500 das vítimas eram militares ou policiais. “Não se espera que o número final de mortos aumente significativamente”, declarou à Reuters. Ela ainda responsabiliza “Israel e grupos armados no exterior” por apoiar os manifestantes.
Em discurso neste sábado, 17, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, renovou as críticas aos protestos e responsabilizou Donald Trump pelas mortes nos confrontos. “A nação iraniana deve quebrar as costas dos insurgentes, da mesma forma que quebrou a insurreição”, afirmou. Ele também acusou os Estados Unidos de conspirar contra o Irã e disse que o objetivo dos norte-americanos é “subjugar o país em todas as esferas”.
Autoridades classificam os protestos como “terroristas” e acusam os Estados Unidos de incentivá-los. O regime restringiu o acesso à internet desde 8 de janeiro, de modo a dificultar o monitoramento dos fatos e a comunicação com o exterior.