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sexta-feira, 23 janeiro, 2026
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The Economist aponta risco institucional no caso Banco Master

Por Alexandre Gomes

Revista britânica associa falência bancária a pressões políticas e ruído no Judiciário

A falência do Banco Master virou uma crise institucional para o Brasil. Segundo a revista The Economist, que publicou um texto sobre o tema nesta quinta-feira, 22, o episódio ultrapassou o mercado financeiro e atingiu a política e o Judiciário. O resultado é um abalo de confiança generalizado nas instituições.

A publicação relembra o início do caso e revela que o Banco Central (BC) decidiu liquidar o banco ao identificar falta de liquidez. A constatação surgiu durante a tentativa de venda ao Banco de Brasília, controlado pelo governo local. Auditores encontraram carteiras de crédito sem valor na negociação.

Ela destacou que, no final, o custo recaiu sobre o Fundo Garantidor de Créditos, resultando no maior pagamento aos depositantes da história brasileira. Para a revista, o volume expõe falhas graves de supervisão.

Afinal, o crescimento do banco já chamava atenção desde antes do colapso. Isso se dá pelo motivo de seu modelo depender da venda de certificados de depósito bancário com juros elevados.

Daniel Vorcaro assumiu a presidência do Banco Master em 2019. A The Economist relata gastos pessoais elevados e aproximação com círculos de poder, também destacando que sua prisão ocorreu quando ele tentava deixar o país.

Banco Master rende pressões políticas e desgaste institucional

A análise destaca reações fora do sistema financeiro. Um ministro do Tribunal de Contas da União questionou a decisão do BC. Já um procurador ouvido pela revista afirmou: “Esse tipo de interferência na autoridade do Banco Central é incomum e preocupante”.

O texto também descreve a atuação do centrão. Parlamentares tentaram bloquear investigações e defenderam mudanças legais contra o BC. A revista associa o movimento a tentativas de proteção política.

Afinal, as investigações alcançaram o Supremo Tribunal Federal. A The Economist destacou que o banco firmou um contrato de US$ 24 milhões com um escritório ligado à mulher do ministro Alexandre de Moraes. Um especialista jurídico ouvido pela publicação afirmou que a estrutura e os valores “não são normais”.

A revista relata contatos frequentes entre Moraes e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, antes da liquidação. Ambos negaram irregularidades. A Procuradoria-Geral da República, inclusive, arquivou a apuração por falta de provas.

Outro ministro do Supremo, Dias Toffoli, também aparece no texto. Viagens e investimentos que envolvem pessoas ligadas ao banco reforçaram críticas públicas. Além disso, o magistrado tem um histórico de arquivar “outras investigações anticorrupção que envolvem a elite de Brasília”. A revista registra que “esses laços reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que o Supremo Tribunal Federal carece de imparcialidade”.

No desfecho, a The Economist identifica um vencedor claro. O presidente do BC manteve a liquidação, apesar das pressões. A revista avalia que o caso fortaleceu o debate sobre maior autonomia da autoridade monetária.

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