Dólar Hoje Euro Hoje
quarta-feira, 4 fevereiro, 2026
Início » Sob Lula, arrecadação bate recorde, mas déficit permanece acima de R$ 1 tri pelo 3º ano seguido

Sob Lula, arrecadação bate recorde, mas déficit permanece acima de R$ 1 tri pelo 3º ano seguido

Por Alexandre Gomes

Alta histórica das receitas federais não impediu avanço do rombo fiscal nem a deterioração da dívida pública

A arrecadação federal atingiu níveis recordes em 2025, mas o déficit das contas públicas seguiu em trajetória de alta. Dados da Receita Federal mostram que as receitas somaram R$ 2,8 trilhões no ano, o melhor resultado da série histórica iniciada em 1995.

O crescimento foi de 3,6% em termos reais na comparação com 2024, já descontada a inflação medida pelo IPCA. Em valores nominais, a alta chegou a 8,8%. As informações foram divulgadas em 22 de janeiro pela Receita Federal.

Os dados de dezembro reforçam o desempenho. A arrecadação no mês somou R$ 292,7 bilhões, com avanço real de 7,4% perante dezembro de 2024. Também foi o maior valor já registrado para o período.

Déficit cresce no governo Lula

Mesmo com o aumento da arrecadação, o setor público consolidado fechou 2025 com déficit nominal de R$ 1,076 trilhão. É o terceiro ano consecutivo com rombo acima de R$ 1 trilhão, segundo dados do Banco Central (BC) corrigidos pelo IPCA.

Em 2023, o déficit nominal havia sido de R$ 1,074 trilhão. Em 2024, somou R$ 1,065 trilhão. O indicador considera o resultado consolidado de União, Estados, municípios e estatais, incluindo os gastos com juros da dívida pública.

O gráfico divulgado pelo Instituto Millenium mostra que a arrecadação federal subiu de R$ 1,8 trilhão em 2021 para R$ 2,8 trilhões em 2025. No mesmo período, o déficit nominal avançou de R$ 64,7 bilhões para mais de R$ 1 trilhão.

Para o Instituto Millenium, os dados evidenciam um problema estrutural nas contas públicas. “A arrecadação não para de crescer, e o rombo nas contas públicas também não para de aumentar”, afirma a entidade. “Essa é a situação do Brasil.”

Segundo o instituto, o gráfico utiliza o déficit nominal por ser um indicador mais abrangente. “Neste gráfico, usamos o déficit nominal, que é o resultado consolidado, após o pagamento dos juros da dívida”, diz o texto. A entidade afirma que, mesmo com o uso do déficit primário, a tendência seria semelhante.

Para o Instituto Millenium, o aumento da arrecadação não resolve o desequilíbrio fiscal. “É muito fácil manter todas as torneiras abertas e repassar a conta para o cidadão, mas será que o governo não tem de onde cortar gastos?”

Dívida avança

Em 2025, o setor público consolidado gastou R$ 1,023 trilhão com juros da dívida, em valores corrigidos pela inflação. O custo elevado está relacionado à taxa Selic, mantida em 15% ao ano desde junho, o que encarece o serviço da dívida.

Além disso, a Dívida Bruta do Governo Geral encerrou 2025 em 78,7% do PIB, o equivalente a R$ 10 trilhões. O aumento foi de 7 pontos porcentuais durante o governo Lula.

O Tesouro Nacional informou que a Dívida Pública Federal fechou 2025 em R$ 8,65 trilhões, a maior alta anual desde 2015. O Ministério da Fazenda projeta que o estoque pode atingir R$ 10,3 trilhões em ano eleitoral.

Você pode se Interessar

Deixe um Comentário

Sobre nós

Somos uma empresa de mídia. Prometemos contar a você o que há de novo nas partes importantes da vida moderna

@2024 – Todos os Direitos Reservados.