O instituto promoveu baixas de pessoal e troca na Coordenação das Contas Nacionais às vésperas da divulgação do PIB
O setor de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela divulgação dos resultados do Produto Interno Bruto (PIB), reduziu o quadro de pessoal a pouco mais de um mês da divulgação do cálculo de 2025. A coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis, foi exonerada no último dia 19.
Diante disso, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística (Assibge) se reuniu com a Secretaria-Geral da Presidência da República para discutir os impactos da atual conjuntura do órgão na produção de dados oficiais. A pasta é chefiada por Guilherme Boulos.
Diante da saída de Rebeca, técnicos de Contas Nacionais também pediram demissão. A área é responsável pela revisão das metodologias de cálculo, pela incorporação de novas bases de dados e pela atualização das séries históricas no âmbito do Novo Ano Base do Sistema de Contas Nacionais.
Rebeca Palis foi substituída por Ricardo Montes de Moraes, servidor do IBGE desde 2005. Em nota à emissora CNN, o instituto informou que a Diretoria de Pesquisa está conduzindo, de forma dialogada, o processo de transição entre a coordenação atual e a futura, de modo a assegurar o cumprimento integral do plano de trabalho e do cronograma de divulgações previsto para 2026.
“Uma mudança de coordenação em pleno curso desse processo deveria ter sido conduzida de forma mais cuidadosa”, avaliou a Assibge, em nota. “A Assibge entende que, embora seja prerrogativa da administração substituir titulares de cargos de chefia, tais mudanças devem, necessariamente, priorizar a continuidade dos programas de trabalho e a preservação institucional.”
Na reunião com a Secretaria-Geral da Presidência, representantes da Assibge argumentaram que a saída de servidores de posições estratégicas no IBGE abre espaço para questionamentos sobre a credibilidade dos dados produzidos pelo órgão. Segundo o sindicato, a pasta recebeu a documentação apresentada e pediu informações adicionais para aprofundar a análise.
“Diferentes veículos de notícias passaram a repercutir, com frequência e a partir de diferentes interesses, as crises da gestão, o que, de forma acumulada, poderá fortalecer narrativas duvidosas sobre os indicadores produzidos pelo IBGE”, disse o sindicato.
Além das Contas Nacionais, a Assibge aponta exonerações na Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais. No início de 2025, Ivone Lopes Batista e Patricia do Amorim Vida Costa também deixaram, respectivamente, os cargos de diretora e diretora-adjunta da Diretoria de Geociências do instituto.
As mudanças na cúpula do IBGE ocorreram paralelamente à decisão do Ministério do Planejamento e Orçamento de suspender temporariamente a iniciativa da Fundação de Apoio à Inovação Científica e Tecnológica do IBGE (IBGE+). Na avaliação do sindicato, a criação do IBGE+ desencadeou uma crise institucional por ter sido implementada “sem o devido debate e de forma pouco sustentável”.
IBGE segue padrões internacionais para o cálculo do PIB
As Contas Nacionais brasileiras seguem as recomendações de organismos estatísticos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Eurostat, para a apuração dos dados oficiais.
As revisões metodológicas ocorrem a cada dez anos, com o objetivo de refletir as transformações da economia. Por isso, o ano-base do PIB de 2025 será 2021, já que a pandemia inviabilizou a utilização de 2020 como referência.
No cálculo do PIB de 2024, os técnicos do IBGE adotaram as diretrizes do novo manual da ONU, o System of National Accounts, que introduz, entre outros pontos, medições relacionadas ao meio ambiente, à economia digital, à extração de recursos naturais, à desigualdade e ao bem-estar.