Segundo Banco Central há pressão sobre despesas e dívida permanece elevada
O setor público consolidado encerrou 2025 com déficit primário de cerca de R$ 55 bilhões, o equivalente a aproximadamente 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo as estatísticas fiscais divulgadas pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (30). O resultado é ligeiramente pior que o déficit de 2024, o que indica que o espaço fiscal continua restrito, mesmo com algum controle sobre a expansão da despesa. Para o setor público, esse patamar reforça a necessidade de disciplina orçamentária, mas não sinaliza um ajuste robusto ou estrutural nas contas, segundo o BC.
Os juros nominais continuam sendo um dos principais fatores que ampliam o déficit nominal, elevando o peso da dívida pública sobre o PIB, mesmo com o resultado primário em patamar relativamente baixo. Para o setor público, isso significa que uma parcela relevante do esforço fiscal é absorvida pelo custo de financiamento, reduzindo a margem para investimentos em infraestrutura, educação e saúde. A trajetória da dívida, portanto, permanece como um dos principais riscos para a sustentabilidade das contas públicas nos próximos anos.
De acordo com a publicação, apesar da melhora moderada, a evolução recente indica que o ajuste fiscal segue em ritmo lento e dependente de cenários favoráveis de receita e juros. Para o setor público, isso abre pouco espaço para novas despesas obrigatórias e aumenta a vulnerabilidade a choques externos ou internos, como desaceleração da economia ou pressão por aumento de gastos. A margem de manobra continua estreita, e qualquer relaxamento das regras fiscais ou aumento de pressões por gastos pode reverter parte dos ganhos obtidos nos últimos anos.