Uma análise do economista Luiz Fernando Figueiredo, publicada no InfoMoney, ajuda a explicar por que o Brasil mantém uma das maiores taxas de juros do mundo — e por que isso não é fruto do acaso.
Segundo o autor, o problema central está na contradição entre política monetária e política fiscal. Enquanto o Banco Central do Brasil aperta os juros para conter a inflação, o governo federal segue no sentido oposto, expandindo gastos públicos de forma contínua.
O chamado arcabouço fiscal, aprovado pelo Congresso e defendido pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, impede a redução real das despesas e estabelece crescimento mínimo de 2,5% ao ano — que, na prática, já supera 3%. O resultado é um avanço acelerado da dívida pública, que cresce cerca de 4 pontos do PIB por ano, podendo atingir 83% do PIB até 2026.
Além disso, o governo frequentemente recorre a despesas fora da meta fiscal, os chamados “puxadinhos”, o que mina a credibilidade do arcabouço e aumenta a percepção de risco. Com mais dívida e menos confiança, o custo para financiá-la sobe — elevando o prêmio de risco e pressionando ainda mais os juros.
Outro fator destacado é o excesso de crédito subsidiado, que representa cerca de 50% do mercado de crédito. Esse tipo de financiamento:
- pesa sobre as contas públicas, ampliando o déficit;
- não reage à alta dos juros, reduzindo a eficácia da política monetária.
Na prática, o Banco Central precisa subir ainda mais a taxa básica para obter o mesmo efeito sobre a economia.
A conclusão é direta: os juros altos não são um acidente, mas consequência de escolhas fiscais expansionistas, crédito direcionado em excesso e falta de coordenação entre governo e Banco Central. Depois de tantos movimentos que empurram a taxa para cima, não faz sentido fingir surpresa com o resultado.
Com informações e análise de Luiz Fernando Figueiredo, no InfoMoney.