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segunda-feira, 2 fevereiro, 2026
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PF investiga quase R$ 3 bi em transações do Banco Master com empresa ligada ao PCC

Por Alexandre Gomes

O relatório policial indica que as instituições investigadas, incluindo o BM, ‘de forma deliberada fecharam os olhos para a realidade de seus clientes’

Transações de câmbio no valor de R$ 2,8 bilhões envolvendo o Banco Master e a empresa One World Services (OWS), investigada por lavagem de dinheiro para o PCC e o Hezbollah, estão sob apuração da Polícia Federal. O montante, enviado entre dezembro de 2018 e abril de 2021, teve como justificativa o aumento de capital de uma offshore da OWS em Miami e foi realizado enquanto a instituição ainda se chamava Banco Máxima, conforme divulgou o jornal Folha de S.Paulo.

Segundo a PF, a OWS, especializada em venda direta de criptoativos sem intermediação de plataformas tradicionais, adquiriu bitcoins para condenados por lavagem de dinheiro, utilizando contas no Banco Master sem apresentar toda a documentação exigida pelo Banco Central na época. Apenas 15 atas societárias foram entregues, embora 331 operações tenham sido registradas, descumprindo normas de controle e tributação.

Fraudes e irregularidades nas operações do Banco Master

O relatório policial indica que as instituições investigadas, incluindo o Master, “de forma deliberada fecharam os olhos para a realidade de seus clientes”. As investigações, que têm desdobramentos desde a Operação Colossus em 2022, monitoram movimentações de R$ 60 bilhões, sendo R$ 8 bilhões apenas em operações de câmbio.

As atas apresentadas à PF mostraram sinais de fraude, como documentos gerados no mesmo dia ou com minutos de diferença. A finalidade declarada das operações permitia um IOF de 0,38%, inferior ao porcentual exigido para compra de ativos no exterior, que é de 1,1%, conforme análise do Banco Central.

A apuração resultou na abertura de investigação própria pelo Banco Central, depois de receber informações da PF sobre as transações suspeitas. O Banco Master, em nota ao jornal Folha de S.Paulo afirmou que “as apurações sobre esse tema foram objeto de acordo firmado com o BC, que encerrou o caso no âmbito administrativo, sem reconhecimento de irregularidade”. O valor da multa não foi divulgado.

Mudanças na regulamentação e atuação da OWS

Em dezembro de 2022, o Banco Central eliminou a obrigatoriedade de documentação para justificar operações de câmbio internacionais, com o objetivo de simplificar o processo. Essa exigência era usada pela PF para identificar ilícitos em instituições financeiras. O fim da regra foi um dos argumentos para o termo de compromisso firmado pelo banco.

A OWS, controlada por José Eduardo Froes Junior e seus irmãos, atua como OTC (“sobre o balcão”), dispensando intermediários e estando sujeita a menor regulamentação. A investigação apontou que a empresa operou para companhias ligadas a pessoas envolvidas com terrorismo e tráfico internacional de drogas.

Entre os envolvidos está o corretor de criptoativos Dante Felipini, conhecido como “criptoboy”, que enviou mais de R$ 700 milhões à OWS. Condenado a 17 anos de prisão em 2025 por lavagem de dinheiro e associação criminosa, Felipini adquiriu bitcoins para um “laranja intencional” de uma liderança do PCC, segundo a PF.

Mensagens interceptadas pela PF mostraram que a Makes Exchange, empresa de Felipini, transferiu valores para carteiras de criptomoedas sancionadas por Israel por causa de vínculos com o Hezbollah. A defesa de Felipini declarou que a Justiça derrubou a acusação de financiamento ao terrorismo e que outros pontos da sentença ainda estão sob análise.

Felipini foi preso em janeiro de 2024 ao tentar embarcar para Dubai, onde residia desde 2022 e mantinha uma offshore autorizada a negociar criptoativos. A PF identificou pelo menos outras sete empresas suspeitas que movimentaram valores milionários com a OWS.

Desdobramentos judiciais e resposta do setor bancário

O juiz federal Diego Paes Moreira rejeitou pedidos de prisão e bloqueio de bens contra Froes Junior, alegando falta de provas de que ele sabia da origem ilícita dos recursos recebidos.

No período investigado, havia resistência do setor bancário em operar com criptomoedas, e poucos bancos figuravam entre os principais parceiros do segmento. De acordo com os autos, os bancos Topázio e MS Bank romperam relações com a OWS depois de consulta ao Banco Central, enquanto o UBS, da Suíça, recusou-se a abrir conta para Froes Junior por causa da origem dos fundos.

Desde o final de 2025, o Banco Central passou a exigir que operações de câmbio envolvendo criptoativos sejam declaradas conforme as mesmas normas aplicadas às demais casas de câmbio, ampliando a fiscalização e a regulamentação do setor.

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