Grupo J&F adquiriu poços no país, em operação mantida sob sigilo
A J&F, grupo controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, é dona de poços de exploração de petróleo na Venezuela desde 2024, segundo informou o jornal O Globo na segunda-feira, 5. Os negócios do grupo brasileiro no setor de energia no país vizinho, no entanto, permanecem pouco conhecidos do público, em razão do sigilo imposto a documentos diplomáticos relacionados ao tema.
Em novembro do ano passado, Joesley esteve em Caracas, onde foi recebido em audiência pelo então ditador Nicolás Maduro. A visita ocorreu em um contexto político sensível: segundo a apuração, o empresário brasileiro tentou convencer Maduro a renunciar ao cargo “antes que Donald Trump [presidente dos Estados Unidos] o tirasse à força”.
Há poucas informações públicas sobre a extensão, os valores ou o formato dos investimentos da J&F na área de energia na Venezuela. O motivo, segundo a mesma fonte, é que o Itamaraty colocou sob sigilo os telegramas diplomáticos trocados com a Embaixada do Brasil em Caracas sobre esses negócios. O sigilo tem prazo de cinco anos.
Joesley tem histórico de investimentos na Venezuela
Nos últimos anos, a Fluxus, subsidiária de óleo e gás do grupo J&F, passou a prospectar oportunidades na área de petróleo no país vizinho. Paralelamente, a Âmbar Energia, outra empresa do grupo, obteve em 2023 autorização do Ministério de Minas e Energia para importar eletricidade da usina hidrelétrica de Guri, na Venezuela, para abastecer Roraima, único Estado brasileiro fora do Sistema Interligado Nacional.
A viagem de Joesley a Caracas, em novembro, evidenciou esses vínculos econômicos. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, o empresário esteve na capital venezuelana no dia 23 daquele mês para tentar convencer Maduro a atender a um pedido de Trump para que renunciasse e permitisse uma transição política no país. A viagem foi revelada pela agência Bloomberg.
O encontro ganhou repercussão internacional e trouxe de volta o debate sobre os interesses econômicos que aproximaram, ao longo dos anos, a família Batista do governo venezuelano. A reportagem também lembrou que, no passado, o grupo avaliou investir em ativos do setor petrolífero venezuelano que haviam pertencido à empresa ConocoPhillips e foram estatizados em 2007 pelo então ditador Hugo Chávez.