Os irmãos do ministro Dias Toffoli, José Eugênio Dias Toffolli e José Carlos Dias Toffoli, possuíam patrimônio imobiliário equivalente a 8,3% do valor investido no Resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no interior do Paraná. Levantamento do jornal O Globo mostra que, até dezembro de 2020, os bens dos dois somavam R$ 380 mil, enquanto as cotas adquiridas no empreendimento custaram R$ 4,5 milhões.
O resort está no centro de indagações sobre a atuação de Toffoli no caso do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. O ministro é relator do processo que envolve Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, no Supremo Tribunal Federal (STF).
Levantamento em cartórios de São Paulo, do Paraná e do Distrito Federal mostra que os imóveis em nome dos irmãos do magistrado incluem dois sítios, uma casa e parte de uma fazenda, todos localizados em Marília (SP), onde vivem. Parte do patrimônio é fruto de herança familiar, dividida entre nove irmãos da família Dias Toffoli.
Bens declarados da família Toffoli
Um dos imóveis é uma casa de 130 m², adquirida em 1998 por valor que hoje equivale a R$ 137,4 mil. Na mesma região, imóveis com padrão semelhante são anunciados por valores entre R$ 240 mil e R$ 350 mil.
José Carlos é proprietário de dois lotes rurais, que somam 14,9 mil m², comprados em 2011 por valor corrigido de R$ 7,6 mil. Na mesma área, terrenos com metragens semelhantes são ofertados por até R$ 750 mil.
Negócio com entorno do Master
Em 2021, parte das cotas do resort foi comprada por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, por R$ 6,7 milhões, por meio de fundos ligados à gestora Reag, também investigada no caso Master. À época, uma empresa dos irmãos de Toffoli manteve o fundo como sócio relevante, e um deles administrava o empreendimento.
A defesa de Zettel afirma que ele deixou o investimento em 2022 e que o fundo foi liquidado em 2025. Embora Toffoli não seja sócio do resort, ele é frequentador do local. Registros oficiais mostram que seguranças do STF foram deslocados para a região por ao menos 128 dias, entre 2020 e 2025, em feriados, fins de semana prolongados e períodos de recesso do Judiciário.
Os irmãos José Eugênio e José Carlos não responderam aos contatos da reportagem de O Globo.