Holding que tentou comprar o Banco Master alega crise de liquidez; pedido atinge 9 mil investidores pessoas físicas
O Grupo Fictor protocolou um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo com uma dívida acumulada de R$ 4 bilhões. A informação foi divulgada pelo jornal Valor Econômico. A medida ocorre depois de a empresa fracassar na tentativa de compra do Banco Master, em novembro de 2025. O pedido engloba a Fictor Holding e a Fictor Invest, mas deixa de fora a Fictor Alimentos, subsidiária listada na bolsa.
A companhia solicitou a suspensão da cobrança de débitos pelo prazo de 180 dias. O Grupo Fictor alega que enfrenta uma crise de liquidez aguda provocada pelo insucesso na aquisição do banco de Daniel Vorcaro. Segundo a empresa, a operação não avançou por causa da falta de informações de Vorcaro ao Banco Central. O episódio gerou uma crise de confiança no mercado e interrompeu os pagamentos de sócios em Sociedades em Conta de Participação (SCPs).
Os maiores credores da holding são justamente os investidores das SCPs. Ao todo, nove mil pessoas físicas possuem cerca de R$ 2,8 bilhões a receber do grupo. De acordo com o Valor Econômico, o mercado questionou a solidez da proposta feita ao Master, que supostamente contava com o financiamento de fundos árabes, mas nunca se concretizou.
Reestruturação do Fictor e continuidade das atividades
Com o pedido de recuperação, o Grupo Fictor pretende buscar uma reestruturação da dívida para garantir a continuidade de suas operações nos setores de energia, imobiliário e alimentos. Ao jornal, o escritório DASA advogados afirmou que as subsidiárias que não entraram no pedido, como a Fictor Alimentos, seguem com as atividades normais, pois não possuem dívidas e são as principais geradoras de caixa do conglomerado.
O cenário de crise afetou diretamente a reputação do grupo junto aos investidores. A tentativa de compra do Banco Master, anunciada apenas um dia antes da liquidação da instituição financeira, levantou suspeitas sobre a real capacidade de pagamento da Fictor. Agora, a Justiça de São Paulo deve analisar o plano de recuperação para definir os próximos passos do pagamento aos milhares de credores.
A administração do grupo afirma que a proteção judicial é o único caminho para evitar o colapso total das operações. A crise de confiança travou o acesso a novas linhas de crédito, dificultando a manutenção do fluxo de caixa necessário para honrar os compromissos com os cotistas.