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quinta-feira, 22 janeiro, 2026
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Família de Vorcaro é ligada a projeto de créditos irregular na Amazônia

Por Alexandre Gomes

Henrique e Natália Vorcaro controlam a maior parte do negócio, mas negam participação em irregularidades; entenda

Empresas ligadas à família do banqueiro Daniel Vorcaro são apontadas como responsáveis por um projeto bilionário de créditos de carbono na Amazônia. Eles teriam inflado, sem respaldo real, o valor de fundos administrados pela Reag.

Ao todo, a operação movimentou mais de R$ 45,5 bilhões em ativos vinculados a terras públicas do governo federal. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

Segundo os documentos, a Alliance Participações, pertencente a Henrique Moura Vorcaro e Natália Bueno Vorcaro Zettel, pai e irmã de Daniel Vorcaro, estruturou o negócio a partir de um contrato firmado em agosto de 2022. O acordo envolveu o fazendeiro Marco Antônio de Melo, proprietário formal da área, e o intermediário José Antônio Ramos Bittencourt.

Estrutura da operação da família Vorcaro

O contrato garantiu à Alliance a maioria das unidades de carbono estimadas da Fazenda Floresta Amazônica, em Apuí (AM). Ela ficou com 80%, enquanto Bittencourt recebeu 20%.

Posteriormente, esses créditos foram usados como base para transformar 168,872 milhões de unidades em cotas de dois fundos da Reag. Eles passaram a ter Bittencourt como cotista, com 2,5% do New Jade 2% e 7,5% do Biguaçu.

A operação também incluiu a possibilidade de negociar tokens de carbono e outros ativos como pagamento. Não há, porém, detalhamento sobre porcentuais nem fundos específicos usados para remunerar Marco Antônio de Melo, conforme previsto no contrato.

Esses créditos, associados à Alliance, abasteceram as empresas Global Carbon e Golden Green. Elas são integrantes da estrutura que ampliou artificialmente o patrimônio dos fundos geridos pela Reag. De acordo com investigadores, esse arranjo teria permitido ao Banco Master seguir ofertando CDBs ao mercado, de modo a ampliar seu patrimônio fictício.

As empresas Golden Green e Global Carbon, controladas pelos fundos Jade e New Jade 2, respectivamente, chegaram a ser avaliadas em R$ 14,5 bilhões e R$ 31 bilhões, mesmo sem terem comercializado créditos de carbono. Os fundos, apesar de não disporem de liquidez, sustentaram operações financeiras e empréstimos.

Legalidade das terras e auditorias questionadas

Laudos e contratos revelam que a terra utilizada como base para os créditos pertence à União, destinada à reforma agrária e não passível de negociação privada. Apesar disso, auditorias validaram operações baseadas apenas nos dados informados pelas empresas, sem comprovação concreta do ativo ambiental negociado.

A Golden Green tem como investidor o fundo Jade, enquanto a Global Carbon tem financiamento por parte do New Jade 2, ambos sob administração da Reag. O New Jade 2 está ligado ao Hans 95, um dos seis fundos considerados fraudulentos pelo Banco Central no caso Master, segundo as investigações da Operação Carbono Oculto.

Henrique Moura Vorcaro e Natália Bueno Vorcaro Zettel, por meio de representantes legais, negaram à Folha envolvimento em irregularidades e afirmaram atuar com integridade. “O grupo empresarial, cujas atividades detêm boa reputação há mais de 40 anos, está à disposição para esclarecer o que for necessário às autoridades”, informou a defesa, segundo o jornal.

Daniel Vorcaro declarou que ele e o Banco Master “não participam da gestão, da administração, da precificação ou da modelagem técnica dos fundos mencionados, tampouco das companhias citadas que têm projetos vinculados a créditos de carbono”. Sua defesa ressaltou que “as atividades, estimativas e valores declarados nos balanços dessas empresas são de responsabilidade exclusiva das respectivas gestoras e dirigentes”.

O intermediário José Bittencourt afirmou que o projeto se encerrou ainda na fase inicial, depois de consultoria especializada apontar problemas fundiários na área. Ele citou a existência de um Termo de Ajustamento de Conduta em tramitação no Incra para regularizar a propriedade e declarou: “Nunca tive nenhum contato com Daniel Vorcaro”.

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