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sexta-feira, 20 fevereiro, 2026
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Escola de samba com enredo pró-Lula recebeu R$ 9,6 mi e teve agendas no Planalto

Por Alexandre Gomes

Janja e ministras participaram de ensaios e reuniões oficiais com a agremiação

A escola de samba Acadêmicos de Niterói utilizou R$ 9,6 milhões em verba pública para realizar o desfile deste ano em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Intitulado Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil, o enredo não evitou o fracasso na avenida: a agremiação conquistou a menor nota entre todas as escolas do Grupo Especial e acabou rebaixada. De acordo com informações do portal Metrópoles, a estrutura para o desfile contou com patrocínios da Embratur, do governo do Rio de Janeiro e das prefeituras de Niterói e do Rio.

O governo federal envolveu-se diretamente na preparação da escola. A primeira-dama Janja da Silva visitou a agremiação em duas ocasiões, utilizando recursos públicos para deslocamentos, assessores e segurança. Em fevereiro, Janja compareceu ao ensaio acompanhada da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que registrou o encontro em redes sociais oficiais. Fotos e vídeos mostram quando as autoridades ao lado do presidente da escola, Wallace Palhares, fazem o gesto de “L” com as mãos.

Articulação com governo Lula

As agendas oficiais revelam que o presidente da Acadêmicos de Niterói foi recebido ao menos duas vezes no 4° andar do Palácio do Planalto, em outubro de 2025. Wallace Palhares reuniu-se com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, pasta que não possui atribuições ligadas à área cultural. Os encontros contaram com a presença de André Ceciliano, braço direito de Gleisi e responsável pela liberação de emendas e cargos, além do deputado Lindbergh Faria (PT-RJ).

O financiamento da escola envolveu diferentes esferas do poder. A Embratur, comandada pelo petista Marcelo Freixo, destinou R$ 1 milhão à agremiação — valor idêntico ao repassado para as outras 11 escolas do Grupo Especial. O maior aporte individual partiu da Prefeitura de Niterói, que transferiu R$ 4 milhões. Segundo reportagem assinada pelo portal Metrópoles, o governo estadual do Rio contribuiu com R$ 2,5 milhões por meio de um contrato com a Liesa, enquanto a Riotur injetou outros R$ 2,15 milhões no projeto.

Rebaixamento e polêmica com recursos públicos

Apesar do expressivo aporte financeiro e do apoio institucional de membros do primeiro escalão do governo, a Acadêmicos de Niterói somou apenas 264,6 pontos. O resultado selou o destino da escola, que agora retorna à Série Ouro. O uso de verbas de autarquias federais e a realização de reuniões políticas para tratar de um enredo carnavalesco dentro do Palácio do Planalto geraram críticas sobre a mistura entre interesses partidários e fomento cultural.

A Prefeitura de Niterói defendeu o repasse sob o argumento de que destinou o mesmo valor à Viradouro, escola que se sagrou campeã. No entanto, o foco das investigações políticas recai sobre a natureza das agendas no Planalto e a presença constante da primeira-dama na rotina da agremiação. Enquanto o governo tenta desvincular a derrota na avenida da imagem do presidente, a oposição questiona os critérios de prioridade na aplicação de recursos da Embratur em um desfile de exaltação personalista.

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