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Dívida Pública Federal pode bater R$10,3 trilhões até o fim de 2026

Por Alexandre Gomes

Nova estratégia do governo busca atrair investidores com juros básicos em patamares elevados

A Dívida Pública Federal deve encerrar o ano de 2026 situada em um patamar entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Os números foram apresentados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira, 28, durante a divulgação do Plano Anual de Financiamento (PAF) para este exercício.

Em 2025, o endividamento do governo federal já havia ultrapassado a marca recorde de R$ 8,6 trilhões. Agora, a nova estratégia do governo busca reduzir a fatia de títulos prefixados e elevar a participação de papéis corrigidos pela Selic.

Atualmente, os títulos vinculados aos juros básicos da economia representam 48,3% da dívida total. O novo plano permite que esse índice alcance até 50% da composição da carteira ao fim de dezembro.

Essa mudança visa atrair investidores em um momento no qual as taxas estão no maior nível em quase dois anos. Por causa de variações na Selic, o custo do endividamento pode aumentar imediatamente quando o Banco Central reajusta a taxa básica.

O governo também estabeleceu metas específicas para outros tipos de ativos financeiros. Os títulos corrigidos pela inflação devem variar entre 23% e 27% do total da carteira do Tesouro.

Já os papéis vinculados ao câmbio devem representar de 3% a 7% da composição final da dívida. O plano estipulou o prazo médio de vencimento da dívida pública entre 3,8 e 4,2 anos.

Para garantir a capacidade de pagamento em cenários de instabilidade, o governo mantém um colchão de liquidez de R$ 1,187 trilhão. Esse montante cobre os vencimentos da dívida interna por um período de pouco mais de sete meses.

Mesmo com a preferência por papéis flutuantes, o órgão defende que os títulos prefixados trazem maior previsibilidade ao orçamento. Nesses casos, o governo sabe exatamente o valor que pagará no momento do resgate dos títulos pelos investidores.

Contudo, em períodos de instabilidade econômica, essas taxas prefixadas costumam ser mais altas que a Selic. Consequentemente, elas elevam o custo total da dívida pública para os cofres da União.

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