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sexta-feira, 29 agosto, 2025
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BNDES sugere suspensão de dívidas para exportadores sem compras públicas

Por Alexandre Gomes

Mercadante abordou possível standstill para produtos perecíveis junto a prefeitos de 15 municípios impactados pelo tarifaço; medida ainda está em estudo e já foi aplicada durante enchentes no RS

Prefeitos de 15 municípios brasileiros, entre eles o Rio de Janeiro, Campinas (SP), Niterói (RJ) e Petrolina (PE), se reuniram nesta quinta-feira (27) com o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, para discutir medidas de mitigação frente ao tarifaço aplicado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

A reunião ocorreu na sede do banco, no Centro do Rio de Janeiro, e foi organizada pela FNP (Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos), presidida pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD).

No encontro, o banco detalhou linhas de créditos para empresas afetadas pelo tarifaço e a possibilidade de suspensão temporária de dívidas (standstill) para exportadores de produtos perecíveis, especialmente aqueles que não conseguirem ter seus produtos incluídos em compras públicas. Mercadante deixou claro que a medida ainda está sendo estudada.

“Nós vamos ter que estudar junto com a Fazenda, com os bancos. Mas, em alguns complexos regionais, especialmente em produtos perecíveis, enquanto as compras públicas não tiverem implantadas, talvez você tenha que tomar essa medida”, afirmou Mercadante.

“Então, não há nenhuma decisão a respeito. É só que surgiu da nossa pauta de conversas hoje, e eu vou levar para o governo (federal), para a Fazenda, e vou conversar com o BNB, que é o banco que está mais disposto para gente tentar desenhar uma estratégia”, acrescentou.

O BNDES detalhou quatro linhas de crédito para empresas impactadas, com carência de 1 a 2 anos e prazo de pagamento entre 5 e 7 anos, com juros subsidiados, em alguns casos, abaixo de 3% ao ano. O objetivo é amortecer o impacto das tarifas e preservar empregos.

Simão Durando, prefeito de Petrolina e representante dos municípios do Vale do São Francisco, destacou a urgência de medida para produtores de frutas tropicais.

“Estamos com essa janela de agosto, setembro e outubro para exportar 2,5 mil contêineres de manga para os EUA e 700 contêineres de uva para os EUA. Essa janela está em cima e esse tarifaço pegou o Vale do São Francisco de mãos atadas”, disse.

“Um terço da população de Petrolina vive diretamente da fruticultura irrigada. Juntando o (Vale do) São Francisco, mais de 1 milhão vivem disso”, ressaltou.

Nestes casos, Mercadante pontuou que a necessidade de compras públicas, ao invés de políticas de crédito subsidiado.

“O produtor de manga vai perder a manga, que vai apodrecendo no pé. Ele tem dificuldade de pagar o crédito que já tomou. Então, você tem que pensar outras soluções. Nossa experiência no Rio Grande do Sul mostra que, em situações críticas, a suspensão temporária de pagamento de dívidas pode ser necessária”, explicou.

O BNDES planeja iniciar, a partir de 15 de setembro, a liberação das primeiras aprovações de crédito. O banco de começa também deve iniciar em setembro visitas aos principais polos exportadores para explicar as medidas diretamente aos empresários.

“O tempo é fundamental na economia. Quanto mais a gente atrasa, maior é o prejuízo. Se nos antecipamos e todo mundo conseguir manter suas atividades, a economia segue crescendo e o emprego é preservado”, concluiu Mercadante.

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