Na sexta-feira 30, cerca de 15 mil manifestantes participaram de um ato chamado ‘ICE Out’, sob temperaturas negativas em Minneapolis
Protestos recentes contra a polícia de imigração dos EUA (ICE) em Minnesota, apresentados como iniciativas populares, têm recebido financiamento expressivo de bilionários ligados à esquerda, incluindo recursos de origem chinesa. A informação é do jornal New York Post.
Na sexta-feira 30, cerca de 15 mil manifestantes participaram de um ato chamado “ICE Out”, sob temperaturas negativas em Minneapolis, ao entoar palavras de ordem pelo fim da atuação federal de imigração na cidade.
Apesar da imagem de mobilização espontânea, o protesto contou com a presença recorrente de ativistas ligados a redes políticas de esquerda, organizados por meio de fóruns radicais e aplicativos de mensagens criptografadas.
Segundo Scott Walter, presidente do Capital Research e especialista em financiamento político, parte relevante desse apoio financeiro vem do empresário e ex-executivo de software Neville Singham, que atualmente vive em Xangai, maior cidade da China.
Financiamento e redes de ativismo anti-ICE
Walter explicou ao New York Post que entidades como People’s Forum e Party for Socialism and Liberation, ambas beneficiadas por Singham, foram responsáveis por promover o evento nas redes sociais e estiveram presentes nas manifestações, embora seus integrantes busquem se misturar à multidão.
“O que há de novo é vermos grupos comunistas radicais ao lado de sindicatos e fundações tradicionais”, afirmou Walter. “Algo incomum até recentemente.”
O empresário Neville Singham, que não respondeu às tentativas de contato do New York Post, tem financiado redes de ativismo em diferentes cidades norte-americanas, articuladas a partir de Xangai.
“Um manifestante comum pode até desconhecer a fundo a rede de Singham, mas costuma estar ligado a vários grupos ao mesmo tempo” explicou Walter. “Já que esses movimentos mudam de nome e estrutura com frequência.”
Parlamentares da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA e outros representantes do Partido Republicano investigam se as doações de Singham representam influência estrangeira ou descumprimento da lei de registro de agentes estrangeiros, devido a possíveis laços entre sua rede e a propaganda do Partido Comunista Chinês.
Ian Oxnevad, pesquisador sênior da National Association of Scholars, chamou a atenção para a ausência de protestos simultâneos com diferentes pautas relevantes. “Se fosse algo realmente orgânico, haveria manifestações por diversas causas ao mesmo tempo, mas não vemos isso”, disse.
Ele observou ainda que não há grandes protestos contra eventos recentes no Irã nem outros casos de genocídio, sugerindo que as causas escolhidas têm perfil sempre crítico ao Ocidente.
Organizações envolvidas e fontes de recursos
A manifestação em Minneapolis foi organizada pelo coletivo 50501, que atua de maneira discreta. Segundo seu site, entre os parceiros estão Voices of Florida, associação pró-aborto liderada por pessoas negras e LGBT, apoiada pela Fundação Ford, e o Political Revolution, antigo PAC de Bernie Sanders.
A Fundação Ford, criada há 90 anos, doou US$ 100 mil ao Voices of Florida, justificando a iniciativa pela missão de promover justiça social e reduzir desigualdades.
Outras organizações de destaque na região desde o fim do ano passado são Indivisible, financiada pela Open Society Foundation, do bilionário George Soros, Sunrise Movement e Unidos Minnesota.
Documentos fiscais mostram que o Sunrise Movement recebeu ao menos US$ 2 milhões da rede Arabella, enquanto o Indivisible obteve US$ 107 mil desse mesmo grupo, além de US$ 6,5 milhões do suíço Hansjorg Wyss e US$ 7,6 milhões da Open Society Foundation.
O Unidos Minnesota e sua ala Monarca anti-ICE se consolidaram como presenças regulares nos protestos das Twin Cities.
Reportagens publicadas em janeiro revelaram que o grupo obtém recursos da organizaçaõ Tending the Soil Minnesota, que detinha cerca de US$ 1 milhão em ativos em 2023, oriundos principalmente da rede Arabella, da Amalgamated Charitable Foundation e da McKnight Foundation, conforme registros fiscais.
Walter observa que a multiplicidade de grupos e fontes de financiamento dificulta o rastreamento e cria um cenário deliberadamente opaco.
“A imprensa tradicional prefere retratar tudo como indignação de norte-americanos comuns, mas o organizador geralmente lidera várias entidades diferentes”, afirmou.
Origem e atuação do coletivo 50501
O coletivo 50501, sigla para “Cinquenta Estados, cinquenta protestos, um dia”, foi fundado logo depois da segunda posse de Donald Trump, em janeiro de 2025, e é liderado por um usuário anônimo do Reddit, identificado como “u/Evolved_Fungi”.
O grupo se apresenta como uma rede descentralizada de resposta rápida, criada para contrapor ações do governo Trump e seus aliados.
Desde sua fundação, o 50501 assumiu a autoria de 11 grandes protestos em um ano, incluindo manifestações contra Elon Musk em concessionárias de veículos e atos denominados “No Kings”, que buscam associar Trump a um estilo de liderança monárquica e autoritária. O grupo também participou de mobilizações ao lado do Indivisible.
Em entrevista rara à revista Newsweek, em fevereiro de 2025, o suposto líder do coletivo 50501 relatou ter formação em marketing e engenharia, além de interesse em psicologia.