Instituições defendem uso antecipado de recursos retidos para fortalecer fundo garantidor depois de liquidações recentes
Bancos intensificaram negociações com o Banco Central (BC) para discutir a liberação parcial do compulsório. A proposta busca reforçar o caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), sob pressão depois de intervenções recentes no sistema financeiro.
O tema ganhou prioridade entre executivos do setor. A avaliação é que o uso controlado do compulsório pode acelerar a recomposição do fundo sem gerar instabilidade monetária. O diálogo ocorre em meio a alertas sobre a importância de preservar a confiança dos depositantes.
Bancos: solução rápida para o mercado
O FGC atua como uma rede de proteção para clientes de bancos e financeiras. Ele garante valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição, em casos de quebra ou liquidação. O compulsório é o mecanismo que obriga bancos a manter parte dos depósitos retida no Banco Central. Ao permitir o uso desses recursos para antecipar contribuições ao FGC, o BC abriria uma solução considerada rápida pelo mercado.
A ideia em análise prevê que os bancos possam compensar aportes futuros ao fundo com valores hoje parados no compulsório. Na prática, isso funcionaria como um adiantamento de contribuições previstas para vários anos.
Executivos argumentam que a medida não representaria injeção direta de liquidez na economia. Segundo essa visão, os recursos apenas mudariam de destinação, mantendo o controle do BC sobre o sistema. O debate ganhou força depois da liquidação do Banco Master que exigiu desembolsos bilionários do FGC.
Os pagamentos reduziram de forma relevante o volume de reservas acumuladas ao longo dos últimos anos. Embora o fundo ainda mantenha um caixa considerado robusto, o setor financeiro avalia que o nível atual exige atenção. O receio é de que novos episódios de estresse ampliem a necessidade de recursos em curto prazo.
Além do uso do compulsório, bancos discutem ajustes estruturais no modelo de financiamento do FGC. Entre as propostas estão mudanças nas alíquotas e critérios mais rígidos de contribuição, especialmente para instituições de maior risco.
O Banco Central acompanha as conversas com cautela. A autoridade monetária avalia impactos sobre a política de liquidez e sobre a estabilidade do sistema financeiro. As negociações seguem em curso, sem decisão final, mas já indicam um esforço coordenado para fortalecer o FGC e reduzir riscos sistêmicos.