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Aplicativo do FGC para ressarcir clientes do Master sai do ar no 1º dia

Por Alexandre Gomes

Cerca de 800 mil investidores vão receber mais de R$ 40 bi

O aplicativo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), utilizado para solicitar o ressarcimento de investidores do Banco Master, apresentou instabilidade poucas horas depois do início da liberação dos pagamentos, anunciado na manhã deste sábado, 17. Nas redes sociais, diversos usuários relataram problemas.

O FGC informou ao jornal Folha de S.Paulo que o início do pagamento da garantia aos credores dos bancos Master, Master de Investimentos e Letsbank provocou um volume alto de acessos simultâneos, o que gerou instabilidades e comprometeu a disponibilidade do aplicativo. Segundo o fundo, até as 12h haviam sido registrados mais de 140 mil acessos.

De acordo com o FGC, a infraestrutura tecnológica da plataforma é autoescalável, e a expectativa é de normalização nas próximas horas. As equipes técnicas, segundo o órgão, seguem monitorando o sistema e atuando para melhorar o desempenho.

Investidores relatam dificuldades para acessar o aplicativo, concluir o cadastro e avançar nas etapas necessárias para solicitar o resgate. A principal reclamação envolve a impossibilidade de fazer o envio dos documentos exigidos.

Lamentável o processo de vcs. Pq não colocam a validação de documentos pelo GOV.BR

_— Flavio Faga (@flaviofaga) _January 17, 2026

O pagamento da garantia começou neste sábado para valores mantidos no Banco Master, cuja liquidação foi decretada em 18 de novembro pelo Banco Central (BC). Podem solicitar o ressarcimento investidores com aplicações como Certificados de Depósito Bancário ou recursos em conta corrente na instituição.

A operação prevê o desembolso de R$ 40,6 bilhões a cerca de 800 mil investidores, configurando o maior resgate já realizado pelo FGC. Segundo o fundo, o intervalo de 60 dias entre a liquidação do banco e o início dos pagamentos foi superior ao padrão em razão da dimensão do caso.

Em comunicado ao mercado, o diretor-presidente do FGC, Daniel Lima, afirmou que o volume da operação demandou um esforço excepcional. “A equipe do liquidante, com apoio do time do FGC, trabalhou incansavelmente, dias, noites e finais de semana, para gerar os arquivos no menor tempo possível.” A estimativa inicial era de atender 1,6 milhão de investidores.

_1 hora tentando validar o documento e nada!!! E o problema não é a conexão. _pic.twitter.com/BpG2f5v0V6

_— ker (@euvin1cim) _January 17, 2026

Apesar disso, nas redes sociais, investidores manifestam frustração com falhas no aplicativo no momento da solicitação do ressarcimento. Há relatos de telas que não carregam, mensagens de erro e dificuldades de autenticação, além do temor de novos atrasos depois de quase dois meses de espera.

O FGC esclarece que o pagamento não é automático. Para receber os valores, é necessário se cadastrar no aplicativo e seguir o procedimento definido pelo fundo, que fará o depósito diretamente em conta de mesma titularidade do credor.

O órgão também alerta para tentativas de golpe e reforça que o ressarcimento deve ser solicitado exclusivamente por seus canais oficiais. O valor máximo coberto é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo rendimentos calculados até a data da liquidação do banco. Não há correção por inflação ou pela taxa Selic depois dessa data.

O aplicativo do FGC vai ficar fora do ar o dia todo hoje por grande quantidade de acessos.

_— I’m nobody (@dnlrdmn) _January 17, 2026

Master não representa risco sistêmico ao FGC, dizem especialistas

Especialistas avaliam que, apesar do montante envolvido, o caso não representa risco sistêmico, já que o FGC dispõe de cerca de R$ 125 bilhões em caixa, segundo relatório de novembro de 2025. Até então, o maior desembolso havia ocorrido no caso do Bamerindus, em 1997, com cerca de R$ 20 bilhões em valores atualizados.

O Banco Master teve a liquidação decretada pelo BC em razão de uma “grave crise de liquidez” e de “graves violações às normas” do Sistema Financeiro Nacional. Investigações indicam o uso de operações simuladas, laranjas e atribuição artificial de preços a ativos sem liquidez.

O controlador do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso ao tentar deixar o país, mas foi solto dias depois, mediante o uso de tornozeleira eletrônica.

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